Reajuste do diesel da Petrobras começa no sábado(14) e deve pressiona custos
Aumento de R$ 0,38 por litro para distribuidoras pode impactar fretes, alimentos e inflação
Começa a valer neste sábado (14) o reajuste no preço do diesel anunciado pela Petrobras. A estatal elevou em R$ 0,38 por litro o valor do combustível vendido às distribuidoras, em meio à alta das cotações do petróleo no mercado internacional.
Com a mudança, o preço médio do diesel A nas refinarias passa para R$ 3,65 por litro. Já o diesel B — vendido nos postos e composto por 85% de diesel fóssil e 15% de biodiesel — tende a registrar impacto menor nas bombas, estimado em R$ 0,32 por litro, dependendo das margens de distribuição e revenda.
A valorização da commodity ampliou a defasagem entre os preços praticados no Brasil e as referências externas utilizadas como parâmetro para importação de combustíveis. A estatal vinha sendo pressionada por agentes do setor para reduzir essa diferença.
Segundo a Petrobras, o objetivo do ajuste é adequar os preços domésticos às condições do mercado global, preservando a sustentabilidade econômica da companhia e garantindo o abastecimento do mercado nacional. O diesel é um dos principais combustíveis utilizados no transporte de cargas e na atividade agrícola, o que faz com que alterações em seu preço tenham efeito direto sobre diversos setores da economia.
O aumento pode pressionar custos logísticos e, consequentemente, impactar os preços de produtos transportados por rodovias, como alimentos e itens industriais. No Brasil, cerca de dois terços da carga movimentada no país depende do transporte rodoviário, altamente dependente do diesel.
Por outro lado, medidas anunciadas pelo governo federal buscam reduzir o impacto do reajuste sobre consumidores e empresas. Entre elas está a decisão de zerar temporariamente as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que pode ajudar a compensar parte da alta anunciada pela Petrobras.
Além disso, foi criada uma política de subvenção econômica ao combustível, voltada a produtores e importadores. A iniciativa pretende amenizar os efeitos da alta internacional do petróleo e evitar repasses mais fortes ao consumidor final.
O reajuste também reacende discussões sobre a política de preços da Petrobras. Nos últimos anos, a empresa passou a adotar um modelo que considera fatores como custos de produção, logística e participação de mercado, além das referências internacionais de preços.
O diesel da Petrobrás estava há mais de um ano sem reajuste . O último movimento relevante havia sido uma redução aplicada em 2025, quando a estatal aproveitou a queda das cotações internacionais para diminuir os preços.
O diesel é considerado um combustível estratégico para a economia brasileira. Além de abastecer caminhões responsáveis pelo transporte de mercadorias, ele também é amplamente utilizado em máquinas agrícolas, embarcações e geradores de energia em diversas regiões do país.
Por esse motivo, reajustes no combustível costumam ser acompanhados com atenção por transportadores, produtores rurais e pelo mercado financeiro, já que o comportamento do diesel pode influenciar indicadores como inflação, custos de produção e atividade econômica.
A Petrobras informou que continuará monitorando as condições do mercado internacional e que novos ajustes poderão ser avaliados caso haja mudanças relevantes nas cotações do petróleo ou no equilíbrio entre oferta e demanda de combustíveis.