IGP-M cai 0,73% em fevereiro e amplia deflação em 12 meses

Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também desacelerou para 0,30%, refletindo aumentos menos intensos em alimentação, saúde e educação.

Por Andre Souza

Aluguel nos grandes centros tende a ser maior

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,73% em fevereiro, revertendo a alta de 0,41% observada em janeiro, segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com o resultado, o indicador acumula retração de 0,32% no ano e queda de 2,67% nos últimos 12 meses.

De acordo com a FGV, o recuo foi influenciado principalmente pela forte redução dos preços no atacado, especialmente de commodities relevantes para a economia brasileira. Entre os destaques estão as quedas nos preços do minério de ferro, da soja e do café, que pressionaram o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente de maior peso no cálculo do indicador.

O IPA caiu 1,18% em fevereiro, após alta registrada no mês anterior. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação no varejo, desacelerou para 0,30%, refletindo aumentos menos intensos em grupos como alimentação, saúde e educação.

Na construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,34%, também em ritmo menor do que em janeiro, com desaceleração principalmente nos custos de mão de obra.

Segundo o economista André Braz, do FGV IBRE, a queda do IGP-M reflete o enfraquecimento dos preços das matérias-primas e a perda de intensidade das pressões inflacionárias em diferentes setores da economia. "O IGP-M perdeu fôlego em fevereiro, com forte queda do IPA puxada por commodities e
desaceleração do IPC e da inflação da mão de obra na construção.” - resumiu.

Como o IGP-M interfere na vida das pessoas?

O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) é um indicador de inflação calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV) desde o fim da década de 1940. O objetivo do índice é medir a variação de preços em diferentes etapas da economia, desde a produção até o consumidor final, impactando diretamente na vida dos brasileiros.

O cálculo é composto por três indicadores: IPA-M (60%) – mede preços no atacado e matérias-primas; IPC-M (30%) – acompanha preços ao consumidor; e INCC-M (10%) – avalia custos da construção civil.

Por refletir custos amplos da economia, o índice é utilizado como referência em contratos de aluguel, tarifas de serviços e alguns contratos empresariais. Quando sobe, tende a pressionar reajustes; quando cai, pode reduzir ou limitar aumentos nesses contratos. Por isso, o IGP-M costuma ser chamado de “inflação do aluguel”.

IPC e o impacto nas famílias

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que compõe 30% do cálculo do IGP-M e mede a inflação no varejo para as famílias, registrou alta de 0,30% em fevereiro. Porém, foi menos ante o 0,51% observado em janeiro, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O resultado foi influenciado principalmente pela perda de ritmo em parte dos grupos de consumo analisados. Entre os oito segmentos que compõem o indicador, cinco apresentaram desaceleração.

O grupo Alimentação subiu 0,17%, abaixo dos 0,66% registrados no mês anterior, refletindo menor pressão nos preços de alimentos.

Em Saúde e Cuidados Pessoais, a variação passou de 0,60% para 0,12%, enquanto Educação, Leitura e Recreação desacelerou de 1,38% para 0,72%, ainda influenciado por reajustes típicos do início do ano letivo.

O grupo Transportes também perdeu força, passando de 0,71% para 0,53%.Já Vestuário registrou queda mais intensa nos preços, com recuo de 0,43%, após retração de 0,16% em janeiro.

Por outro lado, alguns segmentos apresentaram aceleração. Habitação avançou 0,33%, ante 0,06% no mês anterior, enquanto Despesas Diversas subiu 0,37%, acima dos 0,17% de janeiro.

O grupo Comunicação permaneceu praticamente estável, com variação de 0,01%. O comportamento desses segmentos ajudou a moderar a inflação ao consumidor dentro do IGP-M no mês.