Cibercrime: país responde por 80% dos ataques de trojans da AL

Febraban alerta sobre investida de criminosos, que se passam por funcionários de banco

Por Martha Imenes

Bandidos se passam por gerentes de banco para pedir senha de clientes. Cuidado: é golpe

O Brasil concentra 80% dos ataques de trojans bancários – malware que rouba dados financeiros – na América Latina, com mais de 1,5 milhão de tentativas bloqueadas entre agosto de 2024 e junho de 2025. Isso equivale a mais de 4 mil ataques por dia. As informações são da Kaspersky, empresa multinacional russa de cibersegurança. E não para por aí, dessa vez a fraude vem mascarada de transação bancária: criminosos se passam por falsos gerentes de instituições financeiras e, mascarando o número de origem da ligação, convencem clientes a fornecer senhas e dados bancários. O alerta foi feito pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Ao fingir ser funcionário do banco, o estelionatário alega que foram feitos descontos indevidos na conta-corrente do cliente ou que o cartão foi clonado, aponta a Febraban. Alegam ainda que há necessidade de fazer atualização de segurança. Quando o cliente passa os dados e senhas aos criminosos, essas informações são usadas para o golpe.

A Febraban alerta que nenhum funcionário de banco liga para clientes a fim de pedir dados financeiros. Por isso, ao receber uma ligação desse tipo, o cliente deve desligar o telefone. E, caso tenha dúvidas, ele mesmo deve procurar os canais oficiais do banco.

Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban, lembra: "Nenhum gerente ou funcionário de banco pede senhas, dados financeiros e muito menos que o cliente faça uma transação bancária para resolver supostos problemas na conta. Se receber este tipo de contato, encerre-o na hora".

Segundo a Febraban, o cliente deve estar sempre alerta, porque os bancos nunca solicitam dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, pagamentos ou estornos de transações.

Além disso, a entidade orienta que senhas pessoais, códigos ou tokens são de uso pessoal, intransferível e exclusivo do cliente e não devem ser compartilhados com outras pessoas. Essas informações nunca devem ser digitadas ou fornecidas durante uma ligação ou em mensagens de e-mails ou links.

A federação orienta que, caso tenha sido vítima de algum crime, o cliente deve notificar imediatamente o seu banco para que medidas de segurança sejam adotadas, como o bloqueio do aplicativo ou de sua senha de acesso. Também é importante registrar um boletim de ocorrência.

Outras modalidades

Além do golpe do falso gerente, há outras modalidades em circulação, como o golpe do motoboy, em que criminosos recolhem cartões supostamente bloqueados; o phishing por e-mail e SMS, que leva a páginas falsas de bancos; e o golpe do Pix falso, com comprovantes adulterados ou QR Codes manipulados.

Emílio Simeoni, especialista em segurança digital, resume o problema: "O que favorece a ação dos criminosos não é a falta de segurança técnica dos bancos, mas sim a falta de conhecimento dos clientes."

A empresa de cibersegurança faz um alerta: o uso de inteligência artificial vai tornar os golpes mais sofisticados e difíceis de identificar, incluindo fraudes com Pix e phishing avançado.

Segundo ele, apesar dos sistemas bancários terem camadas de proteção, os golpistas exploram a ingenuidade ou distração das vítimas.

Pontos-chave

* Nunca compartilhar senhas, tokens ou códigos de autenticação.

* Desconfiar de ligações e mensagens que pedem dados pessoais.

* Verificar sempre os canais oficiais do banco.

* Manter softwares e aplicativos atualizados para reduzir vulnerabilidades.

* Registrar boletim de ocorrência e avisar o banco imediatamente em caso de golpe.