Fim do trabalho 6x1: em São Paulo, Lula propõe negociação tripartite

Governo estuda proposta de lei para enviar ao Congresso e defende acordo entre as partes

Por Martha Imenes

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante a II Conferência Nacional do Trabalho

A discussão sobre o fim da escala 6x1, em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um, ganhou força no Brasil e se tornou prioridade do governo federal,  que aposta no diálogo tripartite como caminho para conciliar interesses e avançar em uma reforma que pode redefinir a dinâmica do mercado de trabalho brasileiro.

Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que a proposta de lei para o fim da escala seja construída, em conjunto, por empregados, patrões e o governo. Segundo o presidente, para os trabalhadores, será mais vantajoso realizar um acordo com a classe empresarial antes de o Congresso apreciar o tema. "É melhor vocês construírem negociando do que vocês terem que engolir uma coisa aberta (vinda do Congresso), e depois ter de recorrer à Justiça do Trabalho", disse.

A declaração de Lula ocorreu na abertura da Segunda Conferência do Trabalho, que ocorre na capital paulista até amanhã, no Anhembi.

Conheça

A proposta que busca reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e representa um embate entre interesses econômicos e sociais. Para os sindicatos, é um passo decisivo rumo a melhores condições de vida e trabalho. Para os empresários, representa custos adicionais e desafios de competitividade.

Contra

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, estima que o fim da escala pode gerar um impacto de até R$ 267 bilhões por ano, representando um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. Representantes do setor afirmam que isso comprometeria a competitividade e poderia levar à redução de postos de trabalho.

Além disso, empresários argumentam que o aumento de custos pode comprometer a competitividade, reduzir investimentos e até provocar cortes de empregos. Além disso, entidades do setor produtivo defendem que cada segmento tenha regras específicas, considerando suas particularidades.

A favor

As duas maiores centrais sindicais do país (CUT e Força Sndical) afirmam que o fim da escala 6x1 representa uma conquista fundamental para a classe trabalhadora.

Em nota, a CUT destacou que "reduzir a jornada semanal é garantir mais saúde, mais tempo para a família e mais dignidade".

Já a Força Sindical argumenta que a mudança aproxima o Brasil de padrões internacionais, onde jornadas mais curtas já são realidade, e que o impacto econômico pode ser compensado pelo aumento da produtividade e pela redução de afastamentos por doenças ocupacionais.

Setores que têm escala 6x1

Comércio e Varejo

- Vendedores de lojas (shoppings, ruas, calçadões).

- Repositor de mercadorias em supermercados.

- Açougueiros e atendentes de padaria.

- Caixas de supermercado e lojas de departamento.

Serviços e Alimentação

- Atendentes de telemarketing (geralmente com jornadas reduzidas de 6h).

- Garçons, cozinheiros e auxiliares de cozinha (restaurantes e lanchonetes).

- Recepcionistas de hotéis ou clínicas.

- Auxiliares de serviços gerais e faxineiros.

Logística, Saúde e Segurança

- Motoristas de transporte coletivo ou carga.

- Auxiliares de almoxarife e ajudantes de motorista.

- Técnicos de enfermagem e enfermeiros.

- Bombeiros civis.

Outros Setores

- Porteiros e vigilantes (em condomínios ou empresas).

- Frentistas de postos de combustíveis.

Com informações da Agência Brasil