Haddad descarta risco sistêmico em crise desencadeada pelo Banco Master
Para o ministro, o caso é uma 'pancada como nunca se viu na história do sistema financeiro brasileiro'
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a crise envolvendo o Banco Master não representa ameaça ao sistema financeiro nacional. Segundo ele, os impactos estão concentrados no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo mantido pelas instituições financeiras para cobrir quebras e liquidações. O FGC desembolsou R$ 37,7 bilhões para indenizar clientes.
"Não tem risco sistêmico porque está concentrado no fundo garantidor de crédito. Machuca o Fundo Garantidor de Crédito para valer. Está pegando aí de 30% a 50% do volume do fundo, mas está restrito a isso. Agora, isso é uma pancada como nunca se viu na história do sistema financeiro brasileiro", disse Haddad durante o lançamento do seu livro Capitalismo Superindustrial pela Companhia das Letras no Sesc 14 Bis, em São Paulo.
Apesar de descartar risco generalizado, o ministro classificou o episódio como "a maior fraude bancária da história do Brasil" e garantiu que o governo está "100% alinhado em levar as investigações até o fim e dentro da lei".
Revisão de regras
Haddad destacou que o Banco Central já iniciou a revisão das regras de segurança do sistema financeiro para evitar novos casos semelhantes. "As brechas que permitiram ao Banco Master fazer essa operação não podem existir mais. Algumas normas já foram alteradas pelo Banco Central. O Banco Central está fazendo a revisão das normas para que isso não venha a acontecer de novo", afirmou.
O ministro também negou proximidade entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo Haddad, Lula nunca teve agenda oficial com o banqueiro, apenas um encontro em que Vorcaro alegou perseguição por parte de grandes bancos.
De acordo com o relato, Lula teria respondido que em seu governo não haveria perseguição nem favorecimento, apenas cumprimento da lei.
"Parece que o presidente do Banco Central foi chamado e o presidente Lula disse na frente dos dois: 'Olha, não existe isso no meu governo, não vai ter perseguição e nem favorecimento. O que quer que aconteça com teu banco, vai ser uma decisão técnica de um órgão independente do governo, que é o Banco Central, que tem autonomia para tomar a decisão que quiser. Não haverá pressão nem para um lado nem para o outro. O que tiver que acontecer vai acontecer na forma da lei'", relatou Haddad.
Com informações da Agência Brasil
