Crise no Oriente Médio dispara petróleo e ameaça economia brasileira
Ataques de EUA e Israel contra o Irã elevam preços internacionais, pressionam combustíveis, câmbio e inflação no Brasil
A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no final de semana, que matou lideranças iranianas – como o aiatolá Ali Khamenei, além de chefes militares –, provoca uma onda de instabilidade nos mercados globais. O petróleo tipo Brent iniciou o dia em alta de 5,87%, a US$ 76,53, o dólar ganhou força e os reflexos já chegam ao Brasil, que importa parte dos derivados de petróleo, o que pode significar pressão direta sobre os preços da gasolina e do diesel no mercado interno. A Petrobras, entretanto, ainda não se pronunciou.
A expectativa é que se o preço internacional do petróleo disparar por causa de bloqueios no Estreito de Ormuz, a Petrobras terá de decidir entre: o repasse integral (aumentar os preços conforme a paridade internacional, o que encarece gasolina e diesel no Brasil) ou a suavização (segurar parte do impacto, como já fez em outros momentos, para evitar pressão inflacionária e desgaste político).
Especialistas alertam que o risco maior para o Brasil está em uma guerra prolongada, capaz de comprometer exportações e frear o crescimento econômico brasileiro.
César Queiroz, especialista do mercado financeiro e CEO da Queiroz Investimentos e Participações, chama atenção para os reflexos do conflito no mercado financeiro: "Quando a mesa de negociação é abandonada e o cenário evolui para confronto bélico, o que acontece é aumento da incerteza – e mercado não gosta de incerteza", e pontua que "sempre que os EUA entram diretamente em conflito armado, há maior volatilidade e pressão negativa nas bolsas.”
Ele avalia que "ainda é cedo para conclusões definitivas. Se houver retomada das negociações, o impacto pode ser contido. Se houver prolongamento, o mercado tende a permanecer mais nervoso" e explica a pressão sobre o dólar. Segundo o especialista, "em momentos de crise, investidores buscam ativos considerados seguros, e a moeda norte-americana tende a se fortalecer frente ao real" – a moeda estadunidense abriu a segunda-feira (2) cotada a R$ 5,15.
Inflação
Com combustíveis mais caros e câmbio desfavorável, a inflação deve ser impactada e ganhar força. O impacto é sentido no transporte e na logística, refletindo nos preços de alimentos e produtos básicos. O Banco Central pode ser obrigado a manter os juros elevados por mais tempo, dificultando crédito e investimentos. A autoridade monetária ainda não se pronunciou sobre o conflito.
Especialistas alertam que, se o conflito se prolongar, o Brasil enfrentará desafios maiores como a redução da demanda por commodities, afetando exportações do agronegócio e da mineração.