Regulação da pesquisa clínica promete aquecer economia e gerar empregos
Nova legislação pode movimentar R$ 6,3 bilhões por ano e atrair investimentos diretos de R$ 2,1 bilhões, colocando o Brasil em posição de destaque no cenário mundial da saúde
Os estudos clínicos — testes realizados em seres humanos para avaliar a segurança e eficácia de vacinas, medicamentos e tratamentos — ganharam novo impulso com a regulamentação da Lei da Pesquisa Clínica com Seres Humanos (Lei nº 14.874/2024), detalhada pelo Decreto nº 12.651/2025.
Apesar de sua diversidade étnica e população expressiva, o Brasil ocupa apenas a 19ª posição no ranking mundial de pesquisa clínica, segundo a consultoria IQVIA. A expectativa é que, com regras mais claras e processos ágeis, o país avance significativamente nesse cenário.
De acordo com a consultoria, a regulamentação pode atrair R$ 2,1 bilhões em investimentos diretos por ano e movimentar R$ 6,3 bilhões anuais na economia brasileira. Estima-se que 286 mil pacientes sejam beneficiados e que o mercado de trabalho receba 56 mil novas vagas qualificadas.
A indústria farmacêutica já demonstra força: em 2024, o setor movimentou R$ 162 bilhões, crescimento de 13% nos últimos seis anos, segundo relatório da Alvarez & Marsal. Projeções indicam que o mercado de saúde deve crescer 9% até 2028, alcançando receita de R$ 1,898 trilhão.
Cadeia produtiva
Além dos benefícios diretos, a regulamentação deve impulsionar empresas que atuam em diferentes frentes da saúde, como fabricantes de equipamentos, companhias de logística, laboratórios e prestadores de serviços de tecnologia da informação.
Fernando de Rezende Francisco, diretor executivo da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (Abracro), afirma que o setor já percebeu crescimento acima das expectativas em 2025.
"Por mais que ainda seja cedo para medir todas as consequências da lei, o otimismo é evidente e o mercado está em movimento", destaca.
