Setor de serviços fecha 2025 em alta de 2,8%, aponta IBGE

Principal contribuição para o resultado do ano passado partiu de portais e serviços de internet

Por Martha Imenes

No período, os destaques positivos ficam com os serviços de tecnologia da informação (84,4%)

O setor de serviços encerrou 2025 com crescimento de 2,8%, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão, mesmo com o recuo de 0,4% registrado na passagem de novembro para dezembro.

Com o desempenho do último mês, o setor ficou 0,4% abaixo do maior nível já alcançado, em novembro de 2025, mas permanece 19,6% acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

A média móvel trimestral, que indica a tendência mais recente, apresentou variação nula na comparação com o trimestre encerrado em novembro. Ao longo de 2025, apenas janeiro (-0,3%) e dezembro registraram retração, enquanto os demais meses tiveram resultados positivos.

No acumulado desde 2020, o setor registra expansão de 31%. Os destaques positivos foram tecnologia da informação (84,4%), serviços técnico-profissionais (59,8%) e transporte terrestre (43,5%).

Desempenho por atividade

Das cinco grandes áreas pesquisadas, quatro terminaram 2025 em alta:

- Informação e comunicação: 5,5%

- Serviços profissionais, administrativos e complementares: 2,6%

- Transportes, auxiliares e correio: 2,3%

- Outros serviços: -0,5%

Maiores influências

Entre os 166 segmentos analisados, 53,6% registraram crescimento. As maiores influências vieram de portais e provedores de conteúdo na internet, transporte aéreo de passageiros, rodoviário de carga, publicidade e desenvolvimento de softwares.

Para o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, o resultado negativo em dezembro, não indica necessariamente uma mudança de tendência do setor.

"Não dá para inferir que há inversão de trajetória. Temos os serviços operando em grande força", diz.

Análise

Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, ao analisar os dados do setor de serviços, avalia que "o maior impacto de queda foi novamente do setor de transportes".

"Apesar da desaceleração durante o último trimestre do ano, a receita real de serviços cresceu 2,8% em 2025", diz a analista.

De acordo com ela, para este ano, a expectativa é de que o setor mantenha um crescimento robusto, principalmente pelo impacto esperado da isenção no Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.

"Após o resultado as curvas de juros se mantêm mistas, mostrando que o resultado não deve ter impacto significativo na próxima reunião do Copom. A curva continua precificando um corte inicial de 0,5 pontos percentuais em março", finaliza.

Resiliência

O economista, Luiz Otávio Leal, economista da G5 Partners, avalia que os números vieram abaixo da projeção e da expectativa do mercado.

"O fato de o setor de serviços ter crescido 2,8% em 2025, mesmo após emplacar uma elevação de 3,1% em 2024, demonstra como a economia brasileira seguiu resiliente ao longo do ano passado. Essa dinâmica deriva de fatores conjunturais e estruturais", explica o economista.

Por exemplo, explica Leal, a safra recorde de 2025, por exemplo, contribuiu para a sustentação dos 'serviços de transporte', que acumularam um crescimento de 2,3% no ano passado. Por outro lado, o processo estrutural de digitalização da economia tem impulsionado a atividade de 'serviços de informação e comunicação', que, mesmo após crescer 6,4% em 2024, subiu 5,5% no ano passado.