Gasolina pressiona e inflação fica em 0,33% em janeiro

Com o resultado, o IPCA fecha o mês em 4,44% e permanece dentro da meta do governo

Por Martha Imenes

Preço da gasolina pressionou o índice em janeiro, embora a Petrobras tenha reduzido o valor

Os preços da gasolina e da conta de luz marcaram o comportamento da inflação em janeiro. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% no mês, repetindo o resultado de dezembro. No mesmo período de 2025, a inflação havia sido de 0,16%.

Com o resultado, o IPCA acumula 4,44% em 12 meses, dentro do limite máximo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A gasolina foi o item que mais pressionou o índice, contribuindo com 0,10 ponto percentual, enquanto a redução na tarifa de energia elétrica ajudou a conter a alta, com impacto negativo de 0,11 ponto percentual.

A meta de inflação estabelecida pelo CMN é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que define um intervalo de 1,5% a 4,5%. Desde novembro, o IPCA permanece dentro desse limite. A partir de 2025, a avaliação da meta passou a considerar os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado fechado em dezembro. O descumprimento ocorre caso o índice ultrapasse o intervalo por seis meses consecutivos.

As projeções do mercado financeiro, coletadas pelo Boletim Focus do Banco Central, apontam que a inflação deve encerrar o ano em 3,97%, também dentro da faixa de tolerância.

Ressaltando que o IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Para isso, são acompanhados os preços de 377 itens, entre produtos e serviços, em dez regiões metropolitanas — como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre — além de capitais como Brasília, Goiânia, São Luís e Rio Branco.

Inflação nos últimos quatro anos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no Brasil, apresentou variações distintas nos meses de janeiro entre 2022 e 2026.  A trajetória de desaceleração da inflação em janeiro ao longo dos últimos anos.

Em 2022 e 2023, o IPCA acima de 0,5% refletia pressões externas e internas, especialmente nos combustíveis e alimentos. Já em 2024, o índice caiu para 0,42%, sinalizando maior estabilidade. O ano de 2025 marcou o menor resultado da série, apenas 0,16%, influenciado pela queda na energia elétrica. Em 2026, o índice voltou a subir para 0,33%, com a gasolina exercendo o maior impacto.

Apesar das oscilações mensais, o IPCA tem se mantido dentro da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que prevê 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O cenário indica que, embora os preços ainda sofram pressões pontuais, a inflação vem sendo controlada em linha com os objetivos da política econômica.

Tabela comparativa

* Ano - 2022

* IPCA em janeiro - 0,54%

* Contexto - pressionado por combustíveis e alimentos, em meio à alta global de preços e impactos da pandemia

 

* Ano - 2023

* IPCA em janeiro - 0,53%

* Contexto - inflação ainda elevada, mas em desaceleração frente ao ano anterior; destaque para transportes e alimentação.

Ano - 2024

IPCA em janeiro - 0,42%

Contexto - menor variação em relação aos anos anteriores, refletindo políticas de controle de preços e queda em alguns grupos de consumo.

 

* Ano - 2025

* IPCA em janeiro - 0,16%

* Contexto - forte desaceleração, com energia elétrica em queda ajudando a conter o índice.

 

* Ano - 2026

* IPCA em janeiro - 0,33%

* Contexto - alta puxada pela gasolina, que subiu mais de 2% no mês, compensada parcialmente pela redução na conta de luz.