Setor de seguros movimentou R$ 313 bilhões

Seguro de pessoas impulsionou o mercado em 2025

Por Por Martha Imenes

Crescimento nominal do setor de seguros chegou a 7%

O mercado segurador brasileiro em 2025 manteve ritmo de expansão, acelerando uma mudança estrutural na forma como o consumidor se relaciona com proteção financeira. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que o setor supervisionado movimentou aproximadamente R$ 313 bilhões entre janeiro e setembro, com crescimento nominal acima de 7% na comparação anual, impulsionado por seguros de pessoas.

Já, segundo informações da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), o seguro de vida registrou avanço de dois dígitos no acumulado de 2025, refletindo uma demanda mais qualificada por proteção diante de riscos financeiros, sucessórios e de saúde.

A expansão ocorre em paralelo à mudança no perfil do consumidor, que passou a priorizar clareza contratual, personalização de coberturas e orientação técnica contínua, reduzindo o peso do preço como fator decisivo na contratação.

Para Leandro Lago, proprietário do Grupo Futuro e especialista em proteção de riscos financeiros, o setor vive uma transição estrutural. "O consumidor está mais informado e mais exigente. Ele não quer apenas contratar um seguro, quer entender o impacto daquela decisão no orçamento, na família e no patrimônio ao longo do tempo", afirma. Segundo ele, a corretora deixa de ser um canal de venda e passa a atuar como ponte entre risco, proteção e planejamento financeiro.

A educação financeira do cliente virou parte central dessa equação. Pesquisas do IBGE indicam que mais de 70% dos brasileiros não possuem reserva financeira suficiente para lidar com imprevistos prolongados. Esse dado ajuda a explicar a expansão de produtos como seguros de vida com cobertura em vida, previdência privada e seguros patrimoniais customizados, que ganham espaço à medida que o consumidor entende a função da proteção antes do investimento. "Planejamento começa pela proteção. Sem isso, qualquer estratégia financeira fica vulnerável", diz Lago.

A personalização, por sua vez, se consolidou como diferencial competitivo. Com apoio de tecnologia, análise de dados e segmentação mais refinada, seguradoras e corretoras passaram a desenhar soluções sob medida para diferentes perfis de renda, fase de vida e atividade econômica. A lógica de produtos padronizados perde força diante de um consumidor que espera contratos ajustados à sua realidade. "Não existe mais seguro genérico. Existe proteção adequada ou inadequada", afirma o executivo.

"A tecnologia organiza o processo, mas a decisão continua sendo humana. O corretor que souber usar dados sem perder a capacidade de escuta vai liderar esse novo ciclo do mercado", conclui Lago.