Crise no setor financeiro expõe importância da informação confiável
Liquidação do Master levou à derrocada de instituições, entre elas, a Fictor, que havia feito oferta de R$ 3 bi para comprar carteira do banco liquidado pelo BC
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, desencadeou uma reação em cadeia: em apenas dois meses, instituições ligadas ao grupo foram alvo de intervenção e/ou pedido de recuperação judicial, como no caso do Banco Fictor, que fez oferta de compra de carteira do Master e pouco mais de 2 meses depois pediu recuperação judicial. Os episódios acenderam o alerta entre consumidores e investidores, que precisam redobrar a atenção diante de notícias sobre o sistema financeiro.
Especialistas reforçam que, em momentos de turbulência, diferenciar alertas reais de fake news é crucial para proteger o patrimônio. Nem toda manchete alarmista reflete a realidade de uma instituição. Há ferramentas oficiais e indicadores públicos que permitem avaliar a saúde financeira de um banco em atividade no Brasil.
O primeiro passo é desconfiar de ofertas fora da realidade de mercado. Por exemplo: a) rentabilidade fora do padrão; b) bancos pequenos oferecem taxas maiores que bancos grandes e de baixo risco, c) instituições em dificuldade podem oferecer taxas muito acima da média do mercado para captar recursos rapidamente; d) retornos extraordinários quase sempre vêm acompanhados de maior risco.
Para finalizar, no caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Para se ter uma ideia, o Banco Master oferecia taxas de 140% do CDI.
Como checar as informações
- Verifique a autorização do Banco Central: o primeiro passo é confirmar se a instituição está registrada e supervisionada pelo BC. Bancos não autorizados não podem operar no país.
- Consulte bases oficiais de dados
- Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), no site do BC.
- Banco Data, que organiza indicadores com sinalização de risco.
- Sites de Relações com Investidores (RI), obrigatórios para instituições autorizadas.
- Analise indicadores de solidez
- Índice de Basileia: mínimo de 11% no Brasil; acima de 15% é considerado confortável.
- Lucro líquido recorrente: mostra consistência na gestão.
- Inadimplência da carteira de crédito: índices elevados indicam risco.
- Rating de crédito: notas de agências como Moody's, S&P e Fitch.
Não é possível prever com exatidão se um banco será liquidado, mas alguns indícios ajudam:
- Queda contínua do Índice de Basileia;
- Prejuízos recorrentes nos balanços;
- Rebaixamento de rating;
- Notícias sobre investigações ou intervenção;
- Ofertas agressivas de captação;
- Entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (Raet).
No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com lucro líquido de R$ 55,5 bilhões.
Instituições que foram liquidadas
* Banco Master S.A. (Instituição principal)
* Banco Master de Investimento S.A. Banco Letsbank S.A.
* Master S.A. Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários
* Banco Master Múltiplo S.A.
* CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (anteriormente Reag Trust)
* Willi Financeira S.A. (WHBank): braço digital comprado pelo Master em 2024, que teve a liquidação decretada após o banco não honrar pagamentos.
Recuperação judicial
* Banco Fictor: pouco mais de dois meses após anunciar um aporte de R$ 3 bilhões para a compra do Banco Master, o Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), evidenciando o rápido desgaste da operação que pretendia marcar sua entrada no setor bancário. A instituição agora é alvo da Polícia Federal por suposto crime financeiro.
