Proteção e privacidade de dados ainda geram dúvida

Lei que visa proteger informações está em vigor há cinco anos

Por Da Redação

Propostas sobre proteção de dados são debatidas no Congresso

Após cinco anos de vigência da Lei nº 13.709/2018, que define regras para coleta, tratamento, armazenamento e compartilhamento de informações pessoais por pessoas físicas ou jurídicas, temas relacionados à privacidade e à proteção de dados ainda são cercados por interpretações imprecisas. O debate inclui percepções que se consolidaram ao longo do tempo e que nem sempre refletem o que a legislação determina.

Fabiano Carvalho, especialista em Transformação Digital e CEO da Ikhon, aponta que o maior mito é a ideia de que a adequação à LGPD é um processo com início, meio e fim, no qual o ajuste de contratos e a inclusão de um banner de cookies finaliza todo o processo. "Na verdade, a proteção da privacidade dos usuários é um projeto que envolve monitoramento e melhoria contínua. Isso porque os dados fluem, os processos mudam e novas tecnologias (como a IA) surgem todos os dias", diz Carvalho.

Para o especialista, muitos equívocos surgem porque a regulação foi introduzida em um ambiente no qual questões de privacidade tinham pouca visibilidade. Ele explica que a interpretação mais comum está relacionada ao consentimento. Parte das organizações supõe que o usuário deve autorizar todas as operações de tratamento. A LGPD, porém, estabelece dez bases legais, das quais o consentimento é apenas uma. Cumprimento de contrato, obrigação legal e interesse legítimo são alternativas previstas e, em diversos contextos, mais adequadas do que solicitar autorização contínua.

Dados públicos podem ser usados livremente?

A LGPD é muito clara nesse ponto: o uso do dado deve respeitar a finalidade para a qual ele foi tornado público. Um exemplo: se um dado está no Diário Oficial para dar transparência a um ato público, você não pode raspar essa base para criar um perfil de crédito e vender para terceiros.

Proteção de dados pode travar a inovação?

Segundo ele, a governança de dados impõe uma etapa a mais no design de produtos, o que pode parecer uma lentidão inicial. Porém, no médio prazo, soluções que já nascem seguras sofrem menos interrupções legais, têm maior aceitação do público e evitam retrabalhos. O exemplo mais conhecido no setor de inovação nacional é o open finance. Todo o ecossistema de compartilhamento de dados bancários só existe porque há regras rígidas de padronização e segurança.

Outro exemplo prático ocorre dentro das empresas: quando se inicia o processo de adequação à LGPD, é preciso mapear os dados. Nesse processo, pode se descobrir o chamado "dark data" — informações valiosas que estavam perdidas em servidores esquecidos.