Bilionários cada vez mais ricos e pobres mais pobres

Riqueza saltou mais de 16% em 2025, chegando a US$ 18,3 trilhões

Por Por Martha Imenes

Elon Musk controla o Twitter/X e é um dos homens mais ricos do mundo

O início do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), trouxe à tona alguns dados estatítiscos alarmantes sobre desigualdade social. Relatório da Oxford Committee for Famine Relief (Comitê de Oxford para Alívio da Fome), ou Oxfam, na sigla em inglês, aponta que a riqueza dos bilionários saltou mais de 16% em 2025, três vezes mais rápido do que a média dos últimos cinco anos, chegando a US$ 18,3 trilhões - seu nível mais alto da história.

Desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%, mas ao mesmo tempo 1 em cada 4 pessoas não tem comida suficiente e quase metade da população mundial vive na pobreza.

Um relatório chamado "Resistindo ao Domínio dos Ricos" mostra como os super-ricos usam poder político para criar regras que favorecem seus próprios interesses, prejudicando direitos e liberdades da maioria.

Nos Estados Unidos, o retorno de Donald Trump à presidência coincidiu com esse aumento da riqueza. Sua política reduziu impostos para os bilionários, dificultou a cobrança de grandes empresas e fortaleceu monopólios. Além disso, impulsionou o mercado de ações ligadas à inteligência artificial, beneficiando ainda mais os super-ricos.

O Brasil tem 66 bilionários, o maior número da América Latina e Caribe, com uma fortuna somada de US$ 253 bilhões.

Enquanto isso, o sistema de impostos continua injusto: a maior parte recai sobre consumo e salários, atingindo mais fortemente pessoas negras, mulheres e famílias pobres. Já os mais ricos pagam proporcionalmente menos.

A reforma do Imposto de Renda trouxe avanços, como maior isenção para rendas baixas e mais cobrança sobre os ricos. Mas ainda faltam medidas como taxar dividendos, grandes fortunas e heranças.

Privilégios

* Bilionários têm 4 mil vezes mais chance de ocupar cargos políticos do que pessoas comuns.

* Quase metade das pessoas em 66 países acredita que os ricos compram eleições.

* A pobreza extrema voltou a crescer na África. Cortes em ajuda internacional podem causar 14 milhões de mortes adicionais até 2030.

Controle

Bilionários controlam mais da metade das maiores empresas de mídia e todas as principais redes sociais. Por exemplo, Jeff Bezos comprou o Washington Post; Elon Musk controla o Twitter/X; Patrick Soon-Shiong é dono do Los Angeles Times; na França, Vincent Bolloré transformou a CNews em uma versão local da Fox News e no Reino Unido, quatro famílias ricas controlam 75% da circulação de jornais.

Além disso, apenas 27% dos principais editores são mulheres e 23% pertencem a grupos racializados. Minorias e imigrantes são frequentemente alvo de estigmas e críticas são silenciadas. Um estudo mostrou que, após Musk comprar o X, o discurso de ódio na plataforma aumentou 50%.

O que precisa mudar

O relatório defende impostos mais justos sobre renda e riqueza dos bilionários, regras mais rígidas contra lobby e financiamento de campanhas pelos ricos, independência da mídia e combate ao discurso de ódio e garantia de participação social, protegendo sindicatos e organizações civis.