Cuidado para golpes com o décimo-terceiro salário

Ao Correio, especialista recomenda planejamento e atenção aos detalhes

Por Martha Imenes

Confira como não cair em golpes pela internet

Por Martha Imenes

Com a chegada do fim do ano, muitos trabalhadores passam a contar com o 13º salário para organizar as finanças, quitar dívidas, fazer compras ou planejar o início do próximo ano. Mas, junto com o aumento do poder de compra, cresce também a ação de golpistas que se aproveitam do período para criar armadilhas financeiras, especialmente no ambiente digital. Segundo Cleber Leão, professor do curso de Ciência da Computação da Faseh, os golpes se tornaram mais sofisticados e utilizam desde sites falsos até deepfakes com celebridades para convencer usuários desatentos. "Os criminosos utilizam desde mensagens falsas até promoções inexistentes para desviar dinheiro de consumidores que não observam sinais de alerta", aponta.

Phishing

Entre os golpes mais comuns estão links de phishing que prometem consultar valores do 13º salário, ofertas irresistíveis que aparecem em redes sociais ou aplicativos de mensagem, páginas que imitam lojas conhecidas, além de boletos e QR Codes adulterados.

Golpistas também enviam mensagens fingindo ser bancos ou empresas de crédito consignado, oferecendo antecipações do benefício com taxas "imperdíveis", mas que na verdade levam o usuário a fornecer dados sensíveis ou transferir valores indevidos.

Sinais

"Alguns sinais devem despertar atenção imediata, como mensagens que pedem atualização de cadastro para liberar o 13º, ofertas muito abaixo do preço de mercado, erros de português, pressão para decidir rapidamente, pedidos de pagamento apenas via Pix, links encurtados ou solicitações de informações pessoais que não são necessárias.

A recomendação é sempre verificar a autenticidade do site, desconfiar de propostas urgentes, checar a reputação da empresa e confirmar se o endereço eletrônico realmente pertence à instituição anunciada", orienta o professor.

Há algumas regras básicas que o especialista orienta que devem ser seguidas. Veja a seguir:

Como não cair

Digite o endereço da loja ou do banco diretamente no navegador, evitando clicar em links recebidos por mensagem.

Desconfie de propostas de antecipação do 13º com taxas muito baixas ou promessa de liberação imediata.

Prefira usar cartão virtual ou carteiras digitais nas compras on-line.

Evite fazer movimentações financeiras utilizando Wi-Fi público.

Guarde comprovantes, prints e registros de todas as transações.

Nunca forneça dados pessoais, senhas ou códigos de confirmação por e-mail, SMS ou WhatsApp.

Golpes com idosos

As estatísticas revelam que os idosos são um dos alvos preferenciais de golpes digitais.

Cerca de quatro em cada dez (40%) idosos já sofreram algum tipo de golpe financeiro. Além disso, os consumidores acima de 55 anos são os principais alvos de tentativas de golpe.

Segundo dados de 2024, os idosos representaram 16% das vítimas de golpes virtuais, um quarto da população brasileira que perdeu dinheiro com esse tipo de crime.

Segundo o programa Cidadania, a partir de informações do Disque 100, foram 72 mil casos em 2024 tendo como vítimas pessoas com mais de 60 anos.

Houve um aumento de aproximadamente 60% nos golpes financeiros contra idosos desde o início da pandemia de Covid-19, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Perderam dinheiro 80%, e em mais da metade o prejuízo superou R$ 1 mil.