Execução fiscal 'imprevisível' compromete o futuro do país
Para executivo do Banco Mercantil, "incertezas inibem investimentos"
Por Marcello Sigwalt
"O país precisa de uma âncora fiscal, que nos permita contar com um grau de previsibilidade maior [no que toca ao ritmo de expansão das despesas públicas], o que é especialmente importante quando olhamos para dívida pública [já próxima de 80% do PIB (Produto Interno Bruto)]. Deste modo, a maior preocupação é com a [falta] de previsibilidade da execução fiscal do governo".
A análise direta e precisa partiu do CFO do Banco Mercantil, Paulino Rodrigues, para quem, em que pese o aspecto positivo do crescimento econômico, os juros altos e as incertezas fiscais "inibem investimentos e afetam expectativas do mercado e dos empresários".
Ante à expansão de 3% do PIB este ano - pelo avanço da renda, dos salários, benefícios previdenciários, trabalhistas e assistenciais - Rodrigues pondera que o nível de atividade está atrelada ao aumento dos gastos públicos e às expectativas de inflação, sem contar a proporção de endividamento com a geração de riquezas.
Para o executivo, a questão fiscal tem impedido que se 'capture' as vantagens da queda dos juros ianques, o que deveria atrair capital estrangeiro ao mercado nacional, tendo em vista o diferencial de juros entre os dois países.
"O Brasil tem dificuldade de capturar esse benefício diante do risco fiscal. O endereçamento dessas questões requer uma ação do Executivo e do Legislativo. Falar é fácil, mas executar nem tanto. Uma coordenação entre os dois Poderes pode nos ajudar nesse processo, contribuir para a redução dos juros e da inflação", completa o executivo.
Com base no cenário fiscal incerto, Rodrigues estima que o Banco Central (BC) deverá chegar ao fim deste ano com a Selic (taxa básica de juros) no patamar de 11,75%, que deve subir para 12,25% em 2025, a partir de quando este poderá ser reduzido um ponto percentual, até atingir 11,25%, em meados do ano que vem.
