Fazendo coro à avaliação do executivo do Banco Mercantil, Paulino Rodrigues, há consenso entre economistas, de que a obtenção da meta fiscal, para algo próximo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) à um corajoso 'aperto no cinto' dos gastos públicos, no tempo restante para o final do ano, a despeito dos ganhos recentes de arrecadação.
Enquanto o Santander calcula em mais de 50% a probabilidade de o Executivo cumprir a meta, mediante um esforço fiscal de 0,2% do PIB, a Instituição Fiscal Independente (IFI) - vinculada ao Senado - projeta uma necessidade de superávit superior a R$ 42 bilhões, no último trimestre do ano, para que tal objetivo seja alcançado, de modo que o déficit atinja R$ 28,8 bilhões, limite aceito pela nova regra fiscal do arcabouço.
Em relatório publicado há duas semanas, embora tenha apontado o risco de descumprimento da meta este ano, tendo em vista a deterioração fiscal, a diretor da IFI, Vilma da Conceição Pinto avalia ser factível atingir o limite inferior da meta em 2024. "A pressão ficou nos meses iniciais do ano. Vários fatores vão ajudar o perfil da despesa primária neste último trimestre, mas não necessariamente por mudança estrutural das despesas".
Segundo Vilma, o cenário para 2025 impõe desafios, embora haja mais tempo para o 'ajuste de despesas'. "Lembrando que o governo tem trabalhado na agenda de avaliação de gastos de forma mais efetiva".
Como pontos positivos, analistas apontam a antecipação parcial de despesas no primeiro semestre (décimo-terceiro salário de aposentados), além da motivação política de dispor de recursos para 2026, ano de eleição presidencial. (M.S.)