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'Motor' da economia de 2023, alta dos serviços preocupa BC

Aquecimento do mercado do trabalho 'alimenta' força do setor | Foto: Divulgação

Por Marcello Sigwalt

Saudado por uns, temido por outros, o avanço do setor de serviços é apontado como principal fator de crescimento econômico nacional do ano passado, mas também é alvo de preocupação dos tecnocratas do Banco Central (BC), quanto ao risco de fortalecer a chamada 'resiliência' da inflação.

O 'transe' dos números da carestia podem ser melhor observados, levando em conta a evolução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - indicador oficial de inflação - nos últimos 12 meses, acumulado em 4,51%, até janeiro deste ano, ao passo que a inflação dos serviços foi bem além, batendo 5,62%. Para tal arrancada, contribuíram de forma decisiva, igualmente nos últimos 12 meses, os aumentos das passagens aéreas (25,48%); hospedagem (10,86%); costura (8,07%) e manicure (7,82%), entre os maiores destaques.

Também reforçam a escalada de altas dos serviços: transporte por aplicativo (9,47%); aluguel de veículo (13,14%); pintura de veículo (8,98%); mensalidade de clube (9,11%); cursos regulares (8,36%); dentista (8,55%) e condomínio (6,81%). Em todos estes casos, os aumentos ficaram acima da inflação (crescimento real).

Enquanto impera a dúvida sobre o comportamento dos preços dos serviços, nos próximos meses, a notícia favorável é no sentido de que as projeções do mercado financeiro (por meio do boletim Focus, do BC), nas últimas três semanas, mostraram viés de queda do IPCA, até aqui, estável em 3,81% para este ano.

Em descompasso com os demais preços da economia, os de serviços tendem a mostrar maior 'resiliência', por conta da recuperação do mercado de trabalho, que reforça renda e o poder aquisitivo do consumidor.

O ano passado foi marcado pela menor taxa de desemprego (7,8%) desde 2014, enquanto o país possui hoje um contingente de 100,7 milhões de pessoas ocupadas, correspondente a uma massa real de rendimentos do trabalho de R$ 295,6 bilhões, que cresceu 11,7%, a mais alta da série do IBGE. O ano de 2023 fechou com taxa média de desemprego de 7,8%, o menor resultado desde 2014. Há no País 100,7 milhões de ocupados, uma marca recorde.

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