Diferentes olhares sobre a vulnerabilidade de jovens

"De Menor - A Série" chega ao Canal Brasil trazendo adolescentes em conflito com a lei e explorando novas linguagens artísticas

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Seis episódios de 40 minutos cada chegam ao Canal Brasil no dia 25 contar histórias que giram em torno de audiências com adolescentes em conflito com a lei. A cada epísódio, "De Menor - A Série", dirigida por Caru Alves de Souza, uma audiência judicial ganha a linguagem de um gênero diferente — um vira musical, outro assume a forma de um programa de TV, um terceiro é tratado como uma conversa em uma sala de jantar chique, enquanto outros dialogam em formato de podcast ou vídeo react. Tudo acontece em um palco de teatro, com suas estruturas à vista, reforçando a ideia de que existe uma construção social por trás dessas histórias.

O elenco é formado por Benjamín, Giulia Del Bel, Grace Orsato, Luan Carvalho, Taciana Bastos, William Costa e Carlota Joaquina, além de participações de Rita Batata, Giovanni Gallo e Shabazz. A série foi produzida pela Tangerina Entretenimento e teve sua première mundial na mostra Generation 14plus do Festival de Berlim, em fevereiro de 2025. Ela dá continuidade ao universo iniciado no longa-metragem "De Menor", lançado por Caru Alves de Souza em 2013.

A proposta narrativa da série amplia o debate sobre as relações entre juventude, vulnerabilidade social e os mecanismos de julgamento presentes na sociedade brasileira. Ao longo dos episódios, temas como desigualdade, violência institucional e exclusão social atravessam as histórias dos personagens.

A escolha por diferentes formatos — musical, talk show, podcast, game e vídeos react — explora diferentes perspectivas e lógicas que existem na sociedade. "A ideia de assumir diferentes formatos veio da necessidade de jogar com diferentes perspectivas e lógicas existentes na sociedade e, consequentemente, no sistema de justiça que está inserido nessa sociedade. O episódio onde uma audiência vira um talk show é exemplar dessa proposta: quantas vezes não vimos o sistema judiciário transferir a responsabilidade do julgamento de uma pessoa à opinião pública?", explica a diretora.

A série também se destaca pelo processo colaborativo de criação. Caru Alves de Souza ministrou sessões de escrita criativa baseadas em técnicas específicas, reunindo juristas, jovens que já haviam passado por audiências e atrizes da série. "Eu ministrei algumas sessões de escrita criativa, baseadas em técnicas, junto a juristas, jovens que já haviam passado por audiências e algumas atrizes da série. Esses exercícios serviram de inspiração para as escaletas dos episódios, que foram escritas junto a outra roteirista e com a colaboração das mesmas atrizes que estavam nas sessões anteriores", detalha a diretora. O processo continuou nos ensaios, com todos os atores, atrizes e a equipe envolvidos.

A série não oferece respostas definitivas sobre as questões que aborda. Em vez disso, convida o público a refletir sobre as formas de julgamento e punição presentes na sociedade. "Essa série tem uma proposta ousada e estar em um espaço que valoriza propostas que assumem riscos e que respeita a visão das criadoras e sua independência criativa foi fundamental para o processo da série", afirma Caru Alves. A diretora ainda questiona: "A Justiça é igual para todos? Somos realmente imparciais ao olhar para os adolescentes em situação de vulnerabilidade ou já existe uma predisposição para o julgamento e uma indisponibilidade para enxergar a complexidade que existe em relação a essa situação?"