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'Amor da Minha Vida': 2ª temporada dá voz a toda uma geração

Segunda temporada da série chega nesta sexta (9) ao Disney+, debatendo relações amorosas e saúde mental sem julgamentos

Por PEDRO SOBREIRO

Bia e Victor voltam para novas desventuras amorosas na segunda temporada de 'Amor da Minha Vida', que chega ao Disney nesta sexta (9)

Lançada em 2024, a série 'Amor da Minha Vida' se tornou um fenômeno colossal do Disney+. Estrelada por Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros, a produção acompanha as desventuras amorosas de Bia e Victor, dois melhores amigos que encaram as paixões da vida de maneiras completamente distintas.

Debatendo temas como amizade, liberdade sexual, desilusões amorosas e a sensação sufocante de não estar indo a lugar nenhum na vida, a primeira temporada de 'Amor da Minha Vida' chegou à plataforma de maneira avassaladora, batendo o recorde de melhor estreia de uma produção nacional. Mais do que isso, ela figurou entre as produções internacionais mais assistidas do Disney+ em diferentes países. Um fenômeno.

Ao Correio da Manhã, o diretor da série, René Sampaio, explicou qual sua métrica para considerar a série um sucesso.

- Tudo que eu faço, eu falo: 'vai ser um sucesso!'. Eu tenho certeza que vai dar certo. Mas o que é o sucesso? Quando eu faço um negócio, eu tô fazendo com verdade. Eu faço para dar certo. Agora, se não der também... Tudo bem. Eu sei que fiz o meu melhor para aquilo dar certo. E fico muito feliz quando, de fato, as pessoas assistem e amam. E acho que um dos um dos segredos é não se preocupar em fazer para dar certo. Entende? Se ninguém tivesse assistido a primeira temporada, o que poderia ter acontecido, eu ainda teria muito orgulho que a gente fez. Todo mundo se ajudou e foi lindo - disse.

Divulgação/ Disney - Os diretores René Sampaio e Tati Fragoso, e o roteirista Matheus Souza

Na segunda temporada, que estreia nesta sexta-feira (9), no Disney+, Bia e Victor começam uma vida juntos, mas logo as coisas saem do rumo. A ideia da trama é ir além do tradicional "final feliz", mostrando os contornos que a vida real pode tomar. Isso dá à produção ainda mais momentos de emoções extremas. Segundo o criador e roteirista do show, Matheus Souza, isso dialoga com sua própria vida.

- O grande desafio da segunda temporada é trazer aqueles personagens que a gente aprendeu a amar, que fizeram o show virar uma série conforto, mas trazer novas camadas, porque os personagens vão crescendo e amadurecendo. Os temas também têm que amadurecer. Inclusive, o Matheus que escreveu a primeira temporada estava passando por coisas mais leves do que o Matheus que escreveu a segunda temporada. Eu tava passando por um término do relacionamento mais longo da minha vida enquanto escrevia essa temporada. E acho muito doido o quanto que esse ano reflete o que eu tava vivendo naquele momento, porque quando eu tava escrevendo a primeira metade, eu tinha acabado de passar pelo término. Na segunda metade, eu tinha acabado de me apaixonar intensamente. E é muito doido como esse amor, esse fogo, essa paixão e a vontade de me apaixonar também estão na segunda metade dessa temporada - revelou.

Ele também falou sobre ver suas experiências de vida sendo dirigidas na série.

- É muito engraçado quando estão dirigindo uma cena de baseada num término meu. Eu vejo e fico tipo: 'Puxa! Queria ter agido desse jeito'; ou 'Por que que eu não fiz isso como o René falou para o Victor fazer?'. Eu queria tanto ter alguém de fora me dirigindo nesses momentos - brincou.

Assuntos universais

Para a diretora Tati Fragoso, o grande acerto da série é conseguir dialogar com um lado humano do público que transcende faixas etárias.

- Ao mesmo tempo em que a série fala com os jovens, a gente está tratando de assuntos universais, pessoais. Então, todo mundo se identifica, né? Todo mundo tem um pouquinho daquiles personanges. Porque não são coisas momentâneas, apesar da gente tratar também de assuntos que estão acontecendo agora. Nossos temas mais profundos são universais, e eu acho que toca todo mundo. Eu tenho 50 e me vejo ali. Já passei por aquilo, já tive situações que talvez eu tenha lidado de forma diferente, mas me tocou, faz parte, entendeu? - compartilhou Tati.

- Mas é muito maneiro também quando um amigo chega e fala: 'Cara, minha mãe adorou sua série'. Tipo, tem pessoas de 20 anos de idade chorando, se emocionando - completou Matheus.

Saúde mental em pauta

Divulgação/ Disney - A série 'Amor da Minha Vida' é um dos maiores sucessos do Disney+ mundo afora

Outro tópico que ganha força nests segunda temporada é a questão da saúde mental, o que rende alguns dos momentos mais intensos e bonitos. Para René, o desafio do time ao abordar esses temas foi não romantizar a situação e mostrar que há saída.

- A gente trata de temas profundos de saúde mental de uma maneira não leviana, porque é um assunto que pode machucar alguém que já está sensibilizado por aquele problema. Pode levar alguns gatilhos. Então, a gente tenta tratar de uma maneira que não incite as coisas a escalarem na vida das pessoas, mas que promova uma autoreflexão. A série aponta para alternativas para que nada disso seja o fim. A gente tentou trabalhar com muita sensibilidade, mas sem passar pano também, porque passar por um problema de saúde mental, ter questões profundas, faz parte da vida de muitas pessoas e das nossas personagens. E acho que a série vende a esperança também. A gente trabalha com uma série onde o amor e os relacionamentos, as conexões, são uma esperança de cura ou de pelo menos uma melhora para quem está passando por isso - disse René.

- É uma forma realista de tratar tudo isso, né? De mostrar, sem julgamentos, que acontece com todo mundo. Eu estava pensando esses dias que amar é você se desnudar. É, hoje em dia, está cada vez mais difícil de embarcar de corpo e alma, das pessoas mostrarem que estão mal, entendeu? De falar que errou, que fez merda. Todo mundo quer manter uma distância. E aí, nessa série, isso não existe - completou Tati.

Voz geracional

Na última década, as principais produções para cinema e TV usam a nostalgia dos anos 80 para conquistar o público. No entanto, a geração dos anos 90/ 2000 acaba sendo forçada a engolir essas questões e de sentir saudade de uma época que ela não viveu.

Em 'Amor da Minha Vida', os personagens vivem problemas e dilemas de uma geração que foi esquecida pelo entretenimento e teve de se virar para ser ouvida. É como um grito de desafogo para as gerações Y e Z.

Para Matheus, um dos motivos do sucesso da série é tentar tratar os jovens sem julgamentos.

- Cara, acho que meu maior medo da vida é virar um tiozão. E quando as pessoas costumam falar para os jovens de 12 aos 30 anos... É sempre com um tom de julgamento. 'Rede social é errada!', 'você não sai desse celular!'. E a gente não julga. Eu acho que a gente fez uma série que não julga. E tem um outro detalhe que é: o mundo mudou muito. Todo mundo tá um pouquinho mais imaturo ou um pouquinho mais jovem. Tipo, eu já passei dos 30 e ainda tô montando LEGO. Meu algoritmo do TikTok é só carta de Pokémon. Ao mesmo tempo, eu tava falando com o Romulo [Estrela] e ele disse que o filho dele, de 10 anos, estava montando LEGO e falando de Pokémon, sabe? Eu acho que é meio isso. É entender que tá todo mundo no mesmo barco de algum jeito, e compreender, acolher e querer entender - concluiu.

A 2ª temporada entra no catálogo do Disney+ nesta sexta-feira (9).