A atriz carteira D

Ana Hikari conta que fez 20 aulas em auto-escola para dirigir ambulância na série 'Emergência 53' e avisa: 'É muita adrenalina'

Por ADRIELLY SOUZA (Folhapress)

Ana Hikari (de camiseta) e o elenco de 'Emergência 53', que mostra a realidade de profissionais do Samu

Há personagens que exigem do ator mudança de visual, sotaque ou uma nova maneira de falar. Para Ana Hikari, interpretar Duda em "Emergência 53" foi bem mais: ela precisou aprender a dirigir veículos de grande porte, entender de mecânica e encarar uma prova prática para conseguir a habilitação para conduzir uma ambulância.

A atriz é responsável por dar vida à condutora e mecânica da Unidade 53, equipe que atende ocorrências de emergência pelas ruas. Para chegar ao set preparada para as cenas de ação, ela fez 20 aulas de autoescola dirigindo um ônibus e passou pelo processo para obter a carteira de categoria D, que permite conduzir veículos como ônibus, micro-ônibus, vans e caminhões.

"Tive que fazer a aula e a prova, e foi um nervosismo enorme, porque a prova aconteceu dois dias antes de eu me mudar para o Rio", conta à reportagem. "Se eu perdesse, já era, porque teria que me mudar e só conseguiria fazer a prova novamente dois meses depois", completa.

O elenco passou por um período de treinamento para reproduzir com mais precisão os procedimentos e as funções dos profissionais retratados na série. "É uma personagem muito complexa que me fez dirigir ambulância, aprender a dirigir carro de grande porte e me enfiar embaixo de ambulância também porque tive que aprender coisa de mecânica", destaca.

O treinamento acabou criando uma espécie de rotina paralela para os atores. Enquanto alguns aprendiam procedimentos médicos, Ana se dedicava à parte mecânica e à condução do veículo usado nas cenas. "Às vezes, eu estava no nosso galpão, na nossa base, e olhava para o lado: a Raquel [Villar, que vive a enfermeira Vanessa na série] costurando uma banana, sabe? Depois, olhava para o outro lado e estava o Emílio [Dantas, intérprete do médico Pedro] treinando um PCR. Cada um estava aprendendo uma habilidade nova."

"Quando eles olhavam para o lado, estava eu embaixo de uma ambulância, mexendo nas coisas do óleo", brinca a atriz. "Então, cada um de nós está preparado para o fim do mundo depois dessa série (risos)."

Para Ana, a experiência prática ajudou a reproduzir a sensação de urgência dos atendimentos realizados fora de um hospital. Em vez de interpretar a movimentação de uma ambulância apenas com o veículo parado ou por meio de recursos de filmagem, parte do elenco precisou lidar com a dinâmica real da condução.

"Tem muitos diálogos que acontecem enquanto a gente está dirigindo e eu acho que o fato da gente ter dirigido de fato em algumas cenas trouxe um ritmo assim muito bacana, que deixou todo mundo num estado interessante pra série", avalia.

"Tanto eu quanto nossos colegas estávamos lá dentro da ambulância, confiando no nosso taco", lembra. "Acho que isso conseguiu deixar a gente numa adrenalina necessária para que... é isso que é o ritmo dos atendimentos de emergência na rua."

Ao falar sobre Duda, Ana destaca que a personagem também representa uma oportunidade de mostrar o trabalho dos condutores de ambulância. Além de levar a equipe até o local das ocorrências, esses profissionais são responsáveis pela segurança durante o deslocamento e fazem parte da engrenagem dos atendimentos de emergência.

"Os condutores e os enfermeiros sempre foram subvalorizados e invisibilizados, né, dentro do audiovisual", afirma. "A gente é responsável pela segurança da equipe, a gente é responsável pela condução em segurança até o local dos atendimentos, né? E é uma categoria assim que, pô, é pouco falada."

O contato com profissionais que atuam no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) acabou ultrapassando o período de preparação. Ana conta que criou uma relação de proximidade com algumas condutoras que a ajudaram a entender a rotina da profissão. Uma delas, Tiane, chegou a mandar uma mensagem para a atriz falando sobre a expectativa de acompanhar a série.