'The Beauty' | Nova série do Hulu questiona até onde você iria para viver sua "melhor versão"

Elenco de 'The Beauty' comentou sobre a inspiração da nova série na indústria estética mundial

Por PEDRO SOBREIRO

Beauty

Estreia nesta quarta-feira (21), no Disney , a nova série intrigante de Ryan Murphy. Em "The Beauty - Lindos de Morrer", o mundo da moda se vê diante de um problema sem precedentes: uma epidemia de mortes repentinas das principais supermodelos do planeta. Diante dessa situação, os agentes do FBI Cooper Madsen (Evan Peters) e Jordan Bennett (Rebecca Hall) começam a investigar o caso.

A situação fica cada vez mais bizarra conforme eles descobrem que a provável causa dessas mortes horríveis é um vírus sexualmente transmissível que está sendo comercializado porque transforma pessoas em suas "melhores versões", recuperando os dias de glória com perfeição física e estética, mas trazendo consequências terríveis.

Neste cenário, os agente viram os principais alvos de um assassino (Anthony Ramos) que foi contratado pelo multimilionário da tecnologia (Ashton Kutcher) que criou "The Beauty", essa droga/ IST, que está disposto a qualquer coisa para proteger seu império trilionário da estética.

Nas redes sociais, a série vem sendo comparada ao filme "A Substância", terror que brilhou na última temporada de premiações. No entanto, o grande diferencial de "The Beauty" é que a droga da vez está sendo usada em escala global. A produção mostra uma corrida contra o tempo para tentar lidar com essa pandemia estética mortal.

Na última semana, a convite da Disney, o Correio da Manhã participou da coletiva de lançamento da série, que contou com a presença dos atores Evan Peters, Anthony Ramos, Jeremy Pope, Ashton Kutcher e Rebecca Hall.

Para Ashton Kutcher, o grande vilão da série, a produção é apenas um reflexo do momento complicado que o mundo vive, em que drogas de emagrecimento estão sendo vendidas sem controle.

"Nós estamos vivendo em um mundo em que o hormônio GLP-1 estão em todo lugar. Parece ser impossível escapar dessa demanda descontrolada por Ozempic, Wegovy, Mounjaro e todas essas drogas, que foram pensadas para tratar condições de saúde, mas que agora estão sendo usadas praticamente para fins estéticos. Nesse meio, ainda começou essa demanda crescente por cirurgias cosméticas, incluindo o tal do turismo por cirurgias plásticas, que as pessoas fazem para mudarem suas aparências, acreditando que isso trará uma sensação boa ou que dará alguma vantagem para elas na sociedade. Nesse cenário de tanta adesão popular, você começa a se perguntar: 'Será que isso é tão errado assim?'. Porque estão mexendo com engenharia genética atualmente, buscando deixar as pessoas mais saudáveis, procurando resolver problemas como anemia falciforme ou outros problemas genéticos. Partindo dessa premissa, temos 'The Beauty'. E se nós juntássemos saúde com estética e um medicamento de dose única? A grande questão da série é provocar o público a refletir sobre o que ele estaria disposto a sacrificar para ter acesso a isso. Quais riscos são aceitáveis de correr para chegar a essa 'perfeição física'? Acho que esse o grande ponto da série. E o Ryan [Murphy] está sempre pronto para 'colocar o dedo na ferida' com base no que ele observa no dia a dia. Que cremes você usa? Quais os efeitos desse shampoo? Essas decisões diárias estão sendo exploradas no show e vão fazer o público questionar sua própria visão de mundo", comentou o ator.

Anthony Ramos, que dá vida ao assassino de aluguel da série, concorda e acredita existir uma pressão social pela estética que está descontrolada.

"Sabe, eu acho que vivemos em um mundo em que as pessoas estão usando aparelhos ortodônticos sem precisar, e ninguém se importa com isso. Agora existe o Botox, a abdominoplastia e o Ozempic. Além de tantas coisas disponíveis que podem realçar nossa beleza ou que podemos usar para nos tornarmos a pessoa que gostaríamos de ser por fora. Só que eu acho que a sociedade, muitas vezes, nos diz como provavelmente deveríamos ser por fora. Por isso que nós nos pressionamos a ser o que não somos, quase como um instinto. Tipo, 'talvez eu não seja magro o suficiente, ou talvez meu rosto não seja fino o suficiente. Talvez, se eu fizer esse tratamento facial para clarear meu rosto', sabe? E assim por diante. Então, tudo isso está presente com muita força na cultura atual. E acho que essa série aborda isso em um nível bem profundo", explicou Anthony Ramos.

Vilão ou anti-herói?

Grande antagonista da série, Ashton Kutcher comentou sobre o processo de interpretar esse personagem. Para ele, o grande barato dessa experiência foi poder entrar na mente de um homem que é responsável por várias mortes horríveis, mas que ainda assim acredita estar fazendo a coisa certa.

"Sabe, quando você interpreta personagens complexos assim, não é seu trabalho, enquanto ator, julgá-lo. Então, sim, você pode adotar uma perspectiva mais ampla e ver que ele está fazendo coisas abomináveis, mas meu trabalho foi entrar na mente desse cara, que acredita estar fazendo uma coisa boa pelo mundo. Eu entrei nesse papel como um homem que acredita que a droga desenvolvida por ele vai ajudar as pessoas a viverem melhor. E existe esse embate na série entre 'ajudar as pessoas' e 'espera aí, cara! Matar é errado!'. E o mais impressionante é que existem pessoas da vida real que tomam decisões assim no governo todos os dias. E de alguma forma eles adotam essa visão mais benevolente para justificarem suas escolhas, como se as mortes de ações fossem apenas efeitos colaterais para algo bom. Como tudo no mundo, sempre haverá alguém que terá uma perspectiva positiva sobre coisas abomináveis", refletiu Kutcher.

Após anos de parceria, Evan Peters interpreta um herói na série de Ryan Murphy

Fotos/Divulgação/ FX - Evan Peters e Rebecca Hall interpretam Cooper e Jordan, dois agentes do FBI que desenvolvem um caso de amor não assumido

 

Parceiro de longa data de Ryan Murphy, o ator Evan Peters costuma interpretar os vilões das produções do amigo. Porém, desta vez, ele está do lado dos mocinhos. Para Evan, a "experiência nova" foi emocionante.

"[Dar vida ao herói] foi um alívio [risos]. Foi divertido. Foi emocionante. Quer dizer, quando ele me apresentou o projeto, ele disse que haveria ótimas sequências de ação e um romance complicado com a Jordan [Rebecca Hall], o que foi muito interessante de interpretar. E ele disse que só queria que eu fosse normal. Que eu tentasse ser eu mesmo. O que foi difícil", brincou.

"O objetivo do meu personagem é descobrir o motivo das pessoas estarem explodindo, o que é estranho. Então, ao descobrir o motivo, a coisa fica pessoal. A situação fica mais tensa e ele tem que descobrir como resolver esse caso agindo por conta própria, porque acaba mexendo com agências poderosas. Então, sim, fica cada vez mais tenso e complicado", completou.

Do outro lado da dupla do FBI, Rebecca Hall definiu a relação entre Jordan e Cooper como uma amizade "com benefícios".

"Bem, a dinâmica deles é a seguinte: eles trabalham juntos e são melhores amigos com 'benefícios'. Eles acham que não há nada além disso, embora todos saibam que é uma completa mentira. Eles se pegam, mas simplesmente se recusam a mostrar sua vulnerabilidade um com o outro. Então, há muita bobagem não dita entre eles", disse Rebecca.

"Você acaba torcendo para que um deles se manifeste e diga: 'Espera aí, eu não quero que você veja outras pessoas, eu só quero ver você, sabe? Eu... eu te amo'", continuou Evan Peters.

"Os dois são muito orgulhosos, sabe? Daquele tipo que tem medo de intimidade emocional, eu acho", concluiu Rebecca Hall.

Assassino de estimação

Uma relação muito curiosa que acontece no filme é entre o assassino (Ramos) e Jeremy (Jeremy Pope), que passa a ser protegido pelo matador.

"O Assassino passou muito tempo sozinho, e acho que o mesmo vale para o Jeremy, que é descrito como um 'incel' em busca conexão e afeto. Então, acho ele encontra no assassino alguém que o vê e aprecia a estranheza que ele carrega consigo, sabe? Então, eles trabalham como uma dupla e começam a encontrar novas experiências na vida. E eu conheço o Anthony há 15 anos. Essa química que construímos, como irmãos, como família, é natural. Ser capaz de traduzir isso nesses personagens cheios de nuances, que alguns descreveriam como vilões ou caras maus, foi um processo nosso de desenterrarmos a verdade e tentarmos entrar na psique desses humanos que enfrentam situações difíceis. E para eles, essas são as escolhas certas. E acho que vemos um momento para o assassino em que ele pensa: 'Preciso de alguém. Preciso de alguém que possa fazer duas coisas: que me ajude a matar e fazer meu trabalho, mas que também, neste momento, preencha um vazio na minha alma'", concluiu Jeremy Pope.

Os três primeiros episódios de "The Beauty - Lindos de Morrer" estreiam no Disney nesta quarta-feira (21). a partir daí um novo episódio será lançado todas as quartas-feiras. Nas duas últimas semanas, serão lançados dois capítulos por quarta-feira, totalizando 11 episódios.