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Matteo Bocelli: muito mais que um sobrenome

Cantor italiano chega ao Brasil com repertório de pop romântico promissor

Por PEDRO SOBREIRO

Matteo Bocelli disse sentir saudade da alegria natural dos fãs brasileiros e afirmou estar ansioso para voltar ao país neste nova turnê

O sobrenome "Bocelli" carrega um legado especial na música. Eternizado com o tenor Andrea Bocelli, basta ouvir esse sobrenome para pensar em emoções que essa voz desperta ao redor do mundo. Dando continuidade ao legado da família, o jovem Matteo Bocelli, filho de Andrea, chega ao Brasil para uma série de shows da turnê 'Falling In Love', com um repertório próprio fascinante, que mostra a razão dele ser considerado uma das principais vozes em ascensão do pop romântico internacional. A primeira parada é em São Paulo, neste sábado (24), no Tokio Marine Hall. Em seguida, ele vai para Curitiba, onde se apresentará no Teatro Positivo, na terça (27). Por fim, ele encerrará a passagem pelo Brasil no Rio de Janeiro, na quinta (29), no Vivo Rio.

Em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, Matteo falou um pouco mais sobre sua carreira na arte e o que o público brasileiro pode esperar de seus shows no país.

Sobre a relação com o pai, Matteo disse que o gerenciamento de carreira de Andrea foi muito importante para que eles crescessem como uma família normal, com a música sempre presente no dia a dia.

– Crescer com o meu pai definitivamente significava estar cercado pela música, e isso é uma coisa linda, sabe? Dito isso, mesmo com o meu pai sendo um artista mundialmente famoso, ele nunca foi o tipo de pessoa adepta da hiperexposição, sabe? Então, acho que ele soube gerenciar o sucesso de uma forma muito boa para a família. Nós morávamos em cidades pequenas na Itália, onde as pessoas nunca foram muito invasivas, chatas ou irritantes - contou.

Em relação a sua paixão pela música, Matteo comentou não lembrar de um momento em que Primeira Arte não estivesse presente em sua vida.

– A música sempre fez parte da minha vida. Tanto que acho estranho quem diz não ligar tanto para música, mas tudo bem, as pessoas são diferentes. Enfim, cresci tocando piano, e cantar é algo que vim fazendo sozinho na infância, com exceção do final do ensino médio, que foi quando entrei no conservatório de música para canto. Mas de resto, foi sempre um crescimento natural, sabe? E era engraçado porque eu ficava enchendo o saco do engenheiro de som do meu pai para irmos ao estúdio gravar a minha voz. Eu queria poder me ouvir de volta para entender se eu gostava da minha voz ou não. E pronto, eu nunca mais parei e hoje estamos aqui – explicou.

Voz que exalta raízes

O trabalho de Matteo tem uma onda especial. Ele consegue exaltar suas raízes italianas, mas traz para a cena acordes e batidas do rock romântico e do pop internacional. No entanto, Matteo não busca entregar ao público uma mensagem pronta. Ele quer que cada ouvinte reaja e crie significados por conta própria.

– Sabe, eu nunca quis passar uma mensagem específica, como as pessoas que fazem álbuns com um conceito. Para mim, cada música tem sua própria história, sua narrativa. Eu sempre menciono o Freddie Mercury, que uma vez disse em uma entrevista: "Não sou o tipo de pessoa que gosta de falar sobre a história por trás da música". Prefiro que as pessoas interpretem cada música à sua própria maneira. E acima de tudo, eu acredito que cada música deixa em nós uma energia, que é algo indescritível. Então, para este último álbum [Falling In Love], escolhi as músicas que achei que eram as melhores, as que mais me emocionaram nesses últimos dois anos. O meu maior objetivo era produzir o disco todo da maneira mais orgânica possível, sabe? Por isso, eu basicamente montei o estúdio em casa para que uns 80% do álbum soasse o mais real possível – revelou.

Ele também falou sobre a experiência libertadora que foi gravar o Falling In Love, que é o grande tema desta turnê.

– Nós gravamos um jamming incrível. Então, abordamos cada música de forma conjunta. Nós tocamos juntos porque eu queria que todos se sentissem extremamente livres na interpretação das músicas. E foi isso o que aconteceu. Nós basicamente fizemos esses improvisos em cada música e construímos cerca de 70% da produção. Obviamente, o produtor Martin Terefe fez um trabalho incrível finalizando o disco. Mas sim, era o meu sonho, digamos assim, poder trabalhar nas músicas à moda antiga, sabe? Foi delicioso poder voltar ao tempo em que as bibliotecas digitais de som nem existiam. O 'Falling In Love' foi mais como gravar um disco em uma sala. Foi muito divertido! – explicou.

Retorno ao Brasil

Por fim, ele explicou sua grande vontade de voltar ao Brasil e disse estar muito ansioso.

– Sobre a turnê, comparado à primeira vez que fui ao Brasil [em 2024], que foi mais trabalhada nas cordas, aqui eu quis levar para o palco a experiência da banda completa. Estarei no palco com o meu diretor musical nos teclados, mas também com guitarrista, baixista e baterista. Esta é definitivamente uma fase da minha vida em que estou gostandoo muito de dividir o palco com essas pessoas. Eles não são apenas talentos incríveis, mas também seres humanos maravilhosos. Desde que comecei com meu primeiro álbum, 'Matteo', a estrada tem sido uma segunda família. E você não faz ideia do quão importante é estar rodeado de pessoas que te apoiam, acreditam no seu projeto e que querem o melhor para você. Isso é fundamental, porque você está longe de casa, dos amigos, e escolher as pessoas certas ao seu redor é a coisa mais importante – revelou.

– Tenho certeza de que vai ser divertido, porque o Brasil é um lugar muito divertido. Eu gosto daí, gosto das pessoas e sempre fico muito feliz quando volto. Estou muito animado para ir tocar aí. Sabe, as pessoas costumam me dizer: "Matteo, você está sempre sorrindo, nunca perca isso, porque é um dos seus maiores tesouros". Eu nem percebo, porque é algo natural. Mas acho que entendo a visão dessas pessoas sobre mim quando vou ao Brasil, porque as pessoas daí são muito sorridentes, muito acolhedoras. E acho que é muito importante ter esse tipo de alegria. Por isso eu amo os fãs brasileiros e é por isso que sinto saudades daí – concluiu.