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O Ceará como bússolade uma carreira de sucessos

Fagner revê mais de cinco décadas de repertório neste sábado no Vivo Rio

Por Affonso Nunes

Fagner apresenta neste sábado no Vivo Rio os maiores sucessos de uma carreira recheada de grandes canções

Em "Mucuripe", a imagem do pescador que deixa o cais para buscar a sorte foi escrita quando Raimundo Fagner ainda dividia a juventude cearense com Belchior. É o cartão de embarque de uma obra repleta de grandes sucessos ao longo de 50 anos de carreira. Neste sábado (24), Fagner volta ao palco do Vivo Rio com o show comemorativo que vem correndo o país.

Raimundo Fagner Cândido Lopes nasceu em Fortaleza, mas foi registrado em Orós, onde cresceu. A dupla origem explica uma discografia que oscilou entre o urbano e o sertanejo.

No palco, além da citada "Mucuripe", Fagner resgata o lirismo de Cecília Meireles em "Canteiros" e canta o amor sob vários ângulos como em "Borbulhas de Amor" - adaptação de uma bachata de Juan Luis Guerra, que conquistou corações brasileiros; "Espumas ao Vento", de Accioly Neto; e em "Deslizes", que o levou ao repertório romântico de rádio sem abandonar sua marca vocal.

Há quem ouça rouquidão nos timbres vocais do artista, mas sua interpretação trabalha mais perto da fricção que da lisura: uma voz que estica as vogais, interrompe a frase e transborda emoção antes do acabamento.

Com décadas de palco, Fagner sabe exatamente a receita do bom repertório. "É o público quem determina", costuma repetir.

E assim o cearense vem lotando teatros e ginásios desde os anos 1970. O show desta fim de semana se apoia nesse pacto: não apresenta álbum novo, mas reorganiza uma memória sonora marcante.

Fagner correu mundo. Gravou com Nara Leão, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Zeca Baleiro e Mercedes Sosa, mas o Ceará é sua bússola. 

SERVIÇO

FAGNER

Vivo Rio (Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo)

24/10, às 21h

Ingressos a partir de R$ 160 e R$ 80 (meia)