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Pela ponte do improviso

Carlos Malta, Jean-Luc Thomas e Bernardo Aguiar resgatam o diálogo entre pífanos brasileiros e flauta bretã em 'Sopro da Terra'

Por

Affonso Nunes

Doze anos atrás, o primeiro encontro entre o pífano de Carlos Malta, a flauta bretã de Jean-Luc Thomas e o pandeiro de Bernardo Aguiar rendeu uma turnê pelo Brasil. Neste sábado (17), o trio se reencontra no show "Sopro da Terra", em apresentação única na Acaso Cultural, em Botafogo.

O projeto aproxima dois territórios separados pelo Atlântico e unidos por tradições ligadas à cultura popular, à dança e à oralidade. De um lado, pífanos, frevos, baiões e a percussão brasileira. Do outro, as flautas e danças tradicionais da Bretanha, região do noroeste da França que preserva identidade cultural própria. O projeto, no entanto, não se limita a esses dois repertórios. Flautas, pífanos e pandeiros convivem com elementos eletrônicos, abrindo caminhos sonoros para a improvisação.

Conhecido como "Escultor do Vento", Carlos Malta construiu em mais de quatro décadas uma das trajetórias centrais da música instrumental brasileira explorando as possibilidades sonoras do sopro. Em 1981, entrou no grupo de Hermeto Pascoal, com quem ficou 12 anos e gravou cinco álbuns. Depois, saxofones, flautas e pífanos o levaram a Gilberto Gil, Lenine, Guinga, Bobby McFerrin e Snarky Puppy. É o criador do Pife Muderno, grupo que chega aos 30 anos transformando o pífano em matéria de experimentação.

A partir das raízes bretãs, Thomas estabeleceu diálogos com o jazz e a música contemporânea, com experiências no Brasil, em Mali, no Níger e na Índia — e é a improvisação que ergue a ponte entre esses territórios tão distintos.

Entre eles está Bernardo Aguiar representa a geração que ampliou o lugar da percussão brasileira na música instrumental. Aos 13 anos, já era solista da orquestra de pandeiros Pandemonium. Fundador do Pandeiro Repique Duo, levou o instrumento ao Carnegie Hall, tocou com Yamandú Costa e Jacob Collier e leciona na Juilliard School e na Berklee Valencia. No trio, o pandeiro é a terceira voz.

O reencontro coincide com outro marco: os 30 anos do Pife Muderno.

SERVIÇO

SOPRO DA TERRA

Acaso Cultural (Rua Vicente de Sousa, 16 — Botafogo)

17/10, às 20h

Ingressos entre R$ 66 e R$ 198