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Uma despedida sem cara de adeus

Aos 85 anos, Dionne Warwick apresenta no Vivo Rio show da turnê 'Over and Out: A Farewell Tour', com os clássicos que a consagraram

Por

Affonso Nunes

"Chegou a hora de relaxar e descansar um pouco", disse Dionne Warwick, em recente entrevista por videoconferência, sobre o ponto final que dá agora à carreira de palcos. Aos 85 anos, depois de mais de seis décadas de estrada, a cantora estadunidense se despede das turnês com a "Over and Out: A Farewell Tour", que chega ao Vivo Rio neste sábado (17), às 20h30. A passagem brasileira começou na sexta, no Vibra São Paulo, e ainda leva a despedida a Porto Alegre e Curitiba.

Foi em 1961 que Burt Bacharach e Hal David a descobriram, e com eles a menina de Nova Jersey gravou "Don't Make Me Over", primeiro elo de uma sequência de 18 singles consecutivos no Top 100, que inclui "Walk On By", "Anyone Who Had a Heart", "Alfie", "A House Is Not a Home", "I Say a Little Prayer" e "Déjà Vu". O primeiro Grammy veio em 1968, com "Do You Know the Way to San Jose?" — ela se tornou a primeira artista solo afro-americana de sua geração a ganhar a categoria de melhor performance vocal feminina contemporânea. São mais de 100 milhões de discos vendidos.

Em 1985, reuniu Stevie Wonder, Elton John e Gladys Knight na gravação de "That's What Friends Are For", número 1 mundial cuja arrecadação foi destinada à pesquisa contra a Aids — causa que apoiou depois em entidades como amfAR e Desert Aids Project, e que a levou também a "We Are the World" e ao palco do Live Aid.

O repertório anunciado para esta turnê de saideira reúne "That's What Friends Are For", "I Say a Little Prayer", "Heartbreaker" e "I'll Never Love This Way Again", entre muitos outros. A cantora já adiantou que pretende dar ao público brasileiro aquilo que ele espera dos shows e, quem sabe, alguma surpresa: em entrevista, sinalizou a possibilidade de incluir canções que ainda não entraram em suas apresentações por aqui. A relação com o Brasil é antiga — ela já gravou com músicos brasileiros, foi presença frequente em programas de televisão e cultivou amizades na música nacional, a exemplo de Gal Costa.

A trajetória contabiliza seis Grammys, além do Grammy Lifetime Achievement Award, recebido em 2019, ano em que a Smithsonian Institution a nomeou Embaixadora do Ano na Música; em 2017, ela recebera o Marian Anderson Award. Em 2024, entrou para o Rock & Roll Hall of Fame na categoria Musical Excellence, destinada a artistas cuja originalidade e influência deixaram marca duradoura na música.

A despedida dos palcos não esvazia a agenda. Dionne finaliza "DWuets", seu último álbum de estúdio, com todas as canções assinadas por Diane Warren e duetos já revelados com John Legend e Cynthia Erivo — nos próximos lançamentos do projeto, aparecem Kehlani, Saweetie e Earth, Wind & Fire. "Estamos tentando isso há uns 25, 30 anos, e finalmente vamos nos reunir no estúdio", disse sobre o encontro com a banda, que define como sua favorita de todos os tempos. A produção é do filho dela, Damon. "Adoro cantar com as pessoas. Uma vez que elas sabem que eu realmente quero estar com elas e elas querem estar comigo, fica muito fácil para nós fazermos isso", afirmou.

E Hollywood também: a cinebiografia de Warwick está em desenvolvimento, com roteiro em elaboração e a própria cantora acompanhando tudo como consultora. A escolhida para vivê-la na tela é a atriz e cantora Teyana Taylor, que se tornou amiga próxima de Warwick nos últimos anos. "Eu não poderia pensar em uma pessoa melhor do que ela para fazer isso. Chega a ser assustador o quanto somos parecidas", comemora. E acrescenta, na brincadeira: "Provavelmente, ela sabe mais sobre mim do que eu mesma!"

Para um público que conhece muitas dessas canções por regravações, novelas e rádio, a noite do sábado é a chance de ouvir ao vivo a intérprete que as originais consagraram. A despedida, enfim, é só dos palcos. O resto de Dionne Warwick — o disco, o filme, as causas — segue em movimento.

SERVIÇO

DIONNE WARWICK - OVER AND OUT: A FAREWELL TOUR

Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo)

17/10, às 20h30

Ingresos: R$ 880 e R$ 440 (meia)