RoRonando para Angela
Um ano após a morte da cantora e compositora, Cida Moreira volta ao Rio com 'Me Acalmo Danando - A música de Angela Ro Ro' em duas noites de voz e piano dedicadas ao cancioneiro da amiga
As ocupações musicais batizadas de Terças no Ipanema recebem nesta semana e na próxima a cantora e pianista Cida num emocionado tributo a Angela Ro Ro, morta em setembro do ano passado. O espetáculo "Me Acalmo Danando - A Música de Angela Ro Ro" é voz e piano, sem banda, sem cenografia, sem mediação.
A relação entre as duas vem de longe. Amigas desde 1978, quando ambas davam os primeiros passos em suas carreiras, a paulistana e a carioca dividiram palcos em dezenas de espetáculos ao longo de quase cinco décadas. Cida acompanhou Angela desde o primeiro show da carioca em São Paulo, e numa dessas viagens, em Belém do Pará, coube a segurar uma aprseentação sozinha quando Angela, delirante, dizendo-se perseguida, quase não subiu ao palco.
O que era um delírio naquela noite tinha seu dundamento. Roro foi uma artista perseguida pelo preconceito, pela indústria, pelos escândalos fabricados em volta de uma mulher que foi pioneira ao levar o amor entre mulheres para a canção popular brasileira, sem pedir licença a ninguém.
Sua obra, porém, sempre superou os delírios alheios: "Amor, Meu Grande Amor", "Compasso", "Fogueira", "Tola Foi Você" e "Balada da Arrasada" são clássicas e marcam presença no repertório de Cida, ao lado de "Mares de Espanha" e "Não Há Cabeça", estampadas com o estilo dessa intérprete de uma teatralidade só sua no palco.
Cida conta que o show nasceu de uma promessau. "Quando Angela adoeceu, pensei que quando ficasse boa iria propor a ela mais um show comigo, pois já fazia muito tempo desde o último, e eu queria alegrá-la de algum modo. Mas tudo acabou… um abalo imenso e, também, o fim de uma bela amizade", conta Cida. "Foram muitos anos; quantos shows, viagens, conversas, diferenças, mas, acima de tudo isso, um amor e uma admiração enormes."
Foram os amigos próximos, durante os meses de internação, que sugeriram que ela preparasse um repertório dedicado à obra da amiga. O resultado estreou no Rio em abril deste ano e já passou por palcos de São Paulo e do Sul. "Foi uma cumplicidade mágica, que me alimenta e traz um prazer poderoso. Vou me sentar diante de um piano para tocar as belezas que ela criou e cantar com paixão as canções tão lindas que escreveu. Serei sua cantora, sua cúmplice, sua aprendiz".
Mas de modéstia ela não orecisa. Aos 73 anos, Cida é figura icônica da cena underground paulistana, com quase cinco décadas de carreira marcadas pela intensidade cênica e pela fusão entre performance teatral que teve início em 1977 no teatro, em "A Farsa da Noiva Bombardeada", de Alcides Nogueira, com direção de Marcio Aurélio, e nunca mais abandonou o palco nem a visceralidade cênica.
SERVIÇO
CIDA MOREIRA - ME ACALMO DANANDO - A MÚSICA DE ANGELA RO RO
Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa (Rua Prudente de Morais)
22 e 29/9, às 20h
Ingressos: R$ 100 e R$ 50 (meia)