Movimento que é musica. E vice versa
O Passo, método criado por Lucas Ciavatta, ganha dois encontros no CCBB reunindo canto, percussão e artistas que fizeram parte de sua trajetória
Um método de educação musical que nasceu no Rio a partir de um gesto elementar, o ato de caminhar, completa 30 anos mostrando que ainda tem muito chão pela frente. Criado pelo músico e educador Lucas Ciavatta em salas de aula do CAP-UERJ, O Passo será celebrado nos dias 19 e 26 no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB RJ), dentro do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL).
A comemoração começa no sábado (19), às 15h, com "Guarnicê d'O Passo", apresentação gratuita na rotunda do CCBB. Ciavatta divide a cena com Daniela Ferreira, Bela Ciavatta e Rosa Ciavatta em um repertório inspirado no Boi do Maranhão, terra natal de seu pai, e aberto à participação do público.
No sábado seguinte (26), às 17h, o Teatro I recebe "30 anos d'O Passo no FIL - reencontros cênico-musicais". O espetáculo nasce de três dias de criação coletiva e reúne oito ex-integrantes do Bloco d'O Passo e do Batucantá, entre eles Bela e Rosa Ciavatta, Maju Nunes, Mateus Xavier, Zé Motta, Laura de Castro e Carlos Gracie. Canções, palmas, percussão e movimento dialogam com manifestações como boi, maracatu e coco.
Criado em 1996, O Passo associa pulsação, corpo, imaginação, grupo e cultura no aprendizado do ritmo. O caminhar funciona como instrumento de percepção musical, permitindo que o trabalho comece antes mesmo do contato com um instrumento.
Em três décadas, o método deixou as salas de aula para circular por contextos muito diferentes, de escolas indígenas no Acre a projetos com mulheres refugiadas em Berlim. No Brasil, chegou a oficinas ligadas à Mangueira, Salgueiro, Monobloco e Sargento Pimenta. Desde 2018, é indicado pela Filarmônica de Paris e, neste ano, passou a integrar uma disciplina semestral no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris para formação de futuros professores.
Ciavatta vê a celebração também como reencontro com um festival importante para a trajetória do projeto. "Vamos nos reunir e agradecer e só poderia ser no FIL. O FIL ampliou e renovou os caminhos do Bloco d'O Passo e do Batucantá por meio do contato com grupos de outras linguagens", afirma.
Daniela Ferreira, idealizadora da comemoração e ex-integrante do Batucantá, afirma que, desde a pandemia, o Instituto d'O Passo concentrou esforços na formação de professoras e professores de música. Para ela, a festa no FIL "mostra a liberdade de escolha de caminhos na música oferecida pelo método ao longo de três décadas".
Os dois encontros ajudam a revelar os frutos de uma metodologia que fez do corpo o primeiro instrumento musical. Do alto de 30 anos de caminhada, O Passo reafirmao que aprender, criar e conviver podem seguir o mesmo ritmo.
SERVIÇO
O PASSO
CCBB RJ (Rua Primeiro de Maraço, 66 - Centro)
19/9, às 15h: Guarnicê d'O Passo (Rotunda do CCBB). Grátis
26/, às 17h: 30 anos d'O Passo no FIL - reencontros cênico-musicais" (Teatro I). R$ 30 e R$ 15 (meia).