Uma celebração a um compositor de se tirar o chapéu

Verônica Ferriani e Alfredo Del-Penho se unem em homenagem à genial obra de Cartola, mesclando clássicos e obras menos conhecidas do grande sambista

Por Affonso Nunes

Verônica Ferriani e Alfredo Del-Penho

Verônica Ferriani e Alfredo Del-Penho se conheceram há duas décadas, em meio à cena musical carioca, e desde então cruzaram caminhos, palcos e afinidades, sempre sob a influência do samba e da canção popular. Nesta quinta-feira (10), às 20h30, no Dolores Club, no Centro, os dois levam essa cumplicidade para o show "Verônica Ferriani & Alfredo Del-Penho Cantam Cartola", dedicado a um dos pilares da música brasileira.

A homenagem não se resume ao repertório mais conhecido do grande compositor. As obras-primas "O Mundo é um Moinho" e "As Rosas Não Falam", inevitáveis quando se fala em Cartola, dividem a noite com canções menos visitadas, como "Basta de Clamares Inocência" e "Pedem Socorro". A proposta é atravessar a obra do compositor por suas várias dobras: o lirismo amoroso, a delicadeza melódica, o desalento e a inteligência de uma escrita que ainda ilumina a canção popular.

Verônica e Alfredo construíram trajetórias autônomas, mas próximas em seu diálogo com o samba. Ela, cantora de interpretação precisa e forte vínculo com a palavra; ele, compositor, violonista e homem de cena, com atuação decisiva na renovação do teatro musical e da música carioca. Ao reunirem seus recursos, transformam Cartola em terreno de conversa permanente.

Cartola é um autor que dispensa apresentação, mas nunca custa lembrar sua relevância na música brasileira. Nascido Angenor de Oliveira em 11 de outubro de 1908, Cartola esteve entre os fundadores da Estação Primeira de Mangueira, em 1928, escola para a qual compôs alguns de seus primeiros sambas.

Autor de melodias sofisticadas e versos marcados por lirismo, amor e melancolia, viveu longos períodos de afastamento do meio artístico. Nos anos 1960, ao lado da mulher, Zica, criou o Zicartola, restaurante no Centro do Rio que se tornou ponto de encontro entre sambistas históricos e uma nova geração de músicos e intelectuais. O reconhecimento como intérprete fonográfico veio tarde: Cartola só gravou seu primeiro LP solo aos 65 anos, em 1974. Sua voz contida e a elegância harmônica das composições consolidaram uma obra que atravessou gerações. Morreia seis anos depois de ewternizar sua obra.

SERVIÇO

VERÔNICA FERRIANI & ALFREDO DEL-PENHO CANTAM CARTOLA

Dolores Club (Rua do Lavradio, 10 - Centro)

10/9, às 20h30

Ingressos a partir de R$ 40