Clube da Esquina e rock rural entre histórias e canções
Beto Guedes, Luiz Carlos Sá, 14 Bis e Tuia levam ao Vivo Rio um encontro das afinidades entre o Clube da Esquina e o rock rural
Affonso Nunes
Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes — a turma do Clube da Esquina —, O Terço, 14 Bis e os músicos do chamado rock rural trilharam caminhos muito próximos. Mesmo seguindo por estradas estéticas diferentes, partilhavam o gosto por harmonias generosas, guitarras sem medo de conversar com o violão, canções abertas à paisagem e uma ideia de Brasil que nem o Brasil parecia conhecer. É essa vizinhança sonora que "Bar Brasil — Canções, Histórias e Encontros" leva ao Vivo Rio nesta sexta-feira (28), com Beto Guedes, Luiz Carlos Sá, 14 Bis e Tuia.
O nome do show evoca o bar de Belo Horizonte que se tornou ponto de encontro de artistas, compositores e poetas ligados à cena artística mineira que sempre fez do botequim espaço de criação. Foi ali que Beto Guedes cantarolou a melodia de "Sol de Primavera", anotada num guardanapo por sua mulher.
Depois de passar por Belo Horizonte e São Paulo, a turnê chega ao Rio com a promessa de transformar esse espírito coletivo em matéria de palco em atmosfera de conversa: os artistas dividem repertórios e histórias. Suas participações são orgânicas.
O 14 Bis, antes de consolidar uma identidade própria, se chamou O Terço e foi a banda de apoio de Sá & Guarabyra. O grupo assume a função de banda do encontro, sendo o ponto de conbergência entre o Clube da Esquina, o rock rural e, mais adiante, o pop-rock mineiro.
A sofisticada mistura de vozes, pop, rock progressivo e música mineira do 14 Bis não afastou o grupo do sucessso. "Todo Azul do Mar", "Linda Juventude" e "Planeta Sonho" são exemplos.
Beto Guedes é outra chave dessa travessia. Sua obra leva a marca do Clube da Esquina, mas sempre escapou à repetição de fórmulas. Beatlemaníaco de formação, assim como o saudoso Lô Borges, emplacou sucessos absolutos como "Amor de Índio", "Lumiar", "O Sal da Terra" e "Sol de Primavera".
Luiz Carlos Sá acrescenta a outra margem do encontro. Com Zé Rodrix e, depois, com Guarabyra, ajudou a dar ao rock rural uma voz própria: elétrica, urbana e ao mesmo tempo atravessada por estrada, sertão, ecologia e deslocamento. "Sobradinho" e "Dona" mostram como essa vertente recusou o falso dilema entre modernidade e interior. De uma geração mais nova, Tuia - cantor e compositor paulista ligado ao folk rock rural, é a continuidade dessa conversa.
A força de "Bar Brasil" está na rede de afinidades tecida por esses artistas, que sempre souberam que música se faz em parceria.
SERVIÇO
BAR BRASIL — CANÇÕES, HISTÓRIAS E ENCONTROS
Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo)
28/8, às 21h
Ingressos a partir de R$ 220 e R$ 110 (meia)