Gabriel Sater põe o pé na estrada

Cantor e violeiro abre turnê de lançamento do novo álbum que combina material novo, releituras e algumas parcerias

Por Affonso Nunes

Gabriel Sater vai abrir a turnê com show gratuito em praça pública de Sorocaba

Gabriel Sater estreia neste sábado (29), em Sorocaba (SP), a turnê de "25 Anos de Música", álbum lançado em maio que organiza uma espécie de balanço em movimento de sua trajetória como cantor, compositor, instrumentista e produtor. A apresentação acontece no Festival Multicultural, no Parque do Paço Municipal, com entrada gratuita, e inaugura uma agenda que depois passará por Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

Ao reunir dez faixas — oito autorais, duas instrumentais e duas composições de outros autores —, Sater dá forma a um percurso que passou pela viola, pela canção popular, pela música de raiz e, mais recentemente, por uma presença de grande alcance na televisão. O cantor chama o trabalho de homenagem aos anos dedicados à música, mas também o descreve como começo de um ciclo.

"Sinto esse trabalho como uma homenagem aos meus 25 anos de dedicação à música, uma forma de agradecer tudo que vivi, todos os profissionais que trabalhei, parceiros que muito me ensinaram e também o início de um novo ciclo repleto de novidades e sonhos a serem realizados nos próximos 25 anos. Rumo aos 50 anos de música!", diz Gabriel.

O álbum não se fecha sobre sucessos conhecidos: abre espaço para composições inéditas, para canções que ganham nova produção e para participações que tornam visível a rede de colaboradores de sua trajetória.

Entre esses encontros está Ivan Lins, convidado de "Me Ajuda", faixa que também ganhou clipe. O repertório inclui ainda "De Papo pro Ar", cateretê de 1931 assinado por Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, regravado por Sater com Jackson Antunes. A escolha coloca ao lado de canções novas uma peça de outra geração da música brasileira, sem tratar a tradição rural como peça de museu. É uma convivência coerente com o modo como a viola aparece na obra do artista: não como emblema fixo de origem, mas como instrumento capaz de atravessar arranjos, gêneros e histórias.

O disco foi construído com João Gaspar e traz colaborações de Eric Silver, Negão dos Santos, Ian Sater e da Orquestra Sinfônica da UFMT. A variedade de parceiros ajuda a explicar o projeto menos como um retrato solitário do compositor e mais como registro de diálogos. Nas faixas autorais, o músico visita paisagens, afetos e referências que se acumulam em títulos como "Nas Montanhas de Minas", "Marruá" e "Pedra Esmeralda". "Sou apaixonado por aprender, estudar e evoluir todos os dias. A cada álbum me sinto mais maduro para cantar, tocar, compor, arranjar e produzir. O processo de gravação de cada álbum é único, desafiador e muito enriquecedor. Ao lado de João Gaspar, escolhemos um repertório com composições inéditas que apresentam novas cores, influências e estilos musicais que trabalhamos nos últimos anos, além de convidarmos novos artistas para participações especiais. Também selecionamos algumas composições lançadas há mais de uma década, que fizeram muito sentido serem revisitadas, arranjadas e produzidas neste momento", destaca o músico.

A carreira de Gabriel Sater frequentemente chega ao público acompanhada pela comparação inevitável com Almir Sater. A filiação é parte relevante dessa história, mas não a esgota. Pai e filho dividiram a turnê "Pai e Filho" e a cena do remake de "Pantanal", de 2022: Gabriel viveu Trindade, enquanto Almir retomou Eugênio, personagem da versão original. Na novela, o encontro chegou a um duelo de violas. A televisão ampliou a circulação de Gabriel, sem substituir o trabalho que ele vinha desenvolvendo em discos, palco e composição.

Antes de "25 Anos de Música", os álbuns "Erva Doce" e "Faróis do Sertão" receberam indicações ao Grammy Latino. O novo lançamento acrescenta à discografia uma tentativa de conciliar os caminhos que o formaram: o desenho instrumental, a canção de rádio, a memória sertaneja e uma atenção persistente ao arranjo. Sater diz buscar amadurecer continuamente como intérprete, compositor, arranjador e produtor; o repertório é a parte concreta dessa ambição.