Cordas e sopros revisitam O Rappa

Nova Orquestra estreia no Rio turnê que apresenta clássicos da banda carioca em versão sinfônica

Por Affonso Nunes

O concerto 'Mar de Gente' reúne 31 músicos e propõe novos arranjos para as canções da banda carioca (abaixo, em sua formação original)

O Rappa marcou época no início do século com um repertório que nasceu na fricção entre rock, reggae, rap e ritmos brasileiros, mas sua sonoridade ainda desperta novas leituras. Nesta quarta-feira (26), às 20h, a Nova Orquestra estreia a turnê "Mar de Gente: Nova Orquestra toca O Rappa", com aprseentação no Teatro Ecovilla Ri Happy, no Jardim Botânico.

A proposta é deslocar para o universo da música de concerto canções que se firmaram como parte da memória afetiva de diferentes gerações. No palco, uma formação de 31 músicos une cordas, sopros, percussão e banda para revisitar faixas como "Pescador de Ilusões", "Mar de Gente", "Reza Vela", "Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero)" e "Me Deixa".

A história d'O Rappa começa em 1993, quando Marcelo Yuka, Marcelo Lobato, Xandão e Nelson Meirelles foram reunidos para acompanhar no Brasil o cantor jamaicano Papa Winnie; Marcelo Falcão entraria depois nos vocais. A banda encontrou sua linguagem em "Rappa Mundi" (1996), ao misturar reggae, samba, funk, rap, soul, samples e eletrônica, e alcançou projeção nacional com "Lado B Lado A" (1999), disco de "Minha Alma" e "O Que Sobrou do Céu". A saída de Yuka, em 2001, após o músico ficar paraplégico num assalto, foi uma ruptura decisiva, mas o grupo seguiu com "O Silêncio Q Precede o Esporro" e outros trabalhos até anunciar, em 2017, uma pausa sem previsão de volta.

Reprodução Facebook - A formação original d'O Rappa com Marcelo Yuka (de boné)

Os arranjos são assinados por Gabriel Oliveira, enquanto a regência fica a cargo da maestrina Ludhymila Bruzzi. Para Mateus Simões, sócio-diretor da Agência Olga, criadora da Nova Orquestra, a escolha do repertório também busca ampliar o alcance da formação. "São músicas que atravessam gerações e fazem parte da história de muita gente", afirma. Segundo ele, os novos arranjos não pretendem alterar a essência das canções, mas revelar outras camadas e emoções de um repertório que segue vivo.

A apresentação no Rio abre uma rota que seguirá para São Luís, no dia 28, e Belém, no Pará, dois dias depois.

SERVIÇO

MAR DE GENTE: NOVA ORQUESTRA TOCA O RAPPA

Teatro Ecovilla Ri Happy (Rua Jardim Botânico, 1008)

26/8, às 20h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)