O violoncelo encontra a batida de João

Às vésperas de gravar álbum, Fred Martins e Jaques Morelenbaum celebram a obra joãogilbertiana nesta sexta no Rival Petrobras

Por Affonso Nunes

Fred Martins e Jaques Morelenbaum se apresentam em dupla com este repertório desde 2019

Fred Martins conta que, quando começou a tocar violão, tentava imitar a batida de João Gilberto. Quase todo mundo que pegou num violão nos últimos sessenta anos tentou a mesma coisa e desistiu. Martins ele persistiu, fez da obsessão método. O cantor e compositor niteroiense radicado em Lisboa já gravou oito álbuns e orbita, desde sempre, o universo da bossa nova. Nesta sexta-feira (21), ás 19h30, ele e o violoncelista Jaques Morelenbaum levam o espetpaculo "Tributo a João Gilberto" ao Teatro Rival Petrobras. "Neste concerto, iremos mostrar várias das canções que me fizeram abraçar a música como principal forma de expressão", diz Fred.

A parceria com Jaques nasceu na capital portuguesa em 2019. Desde então, os dois percorreram palcos da Europa, África e Américas, consolidando uma química musical. Violoncelista, arranjador e produtor, Morelenbaum passou uma década ao lado de Tom Jobim na Nova Banda, integrou o Quarteto Jobim Morelenbaum e gravou com Ryuichi Sakamoto o disco "Casa", registrado na própria casa de Jobim. Foi arranjador de Caetano Veloso, Gal Costa, Marisa Monte e Sting.

No repertório, "Desafinado", "Bim Bom", "Insensatez", "Você e eu" e "Brigas nunca mais" — além de composições autorais de Martins, como "O samba Me Diz" e "Zona Sul", que travam um diálogo natural com a linguagem do homenageado, que transformou a relação entre voz, violão e silêncio.

O espetáculo está prestes a virar disco. Fred e Jaques entram em estúdio em fevereiro de 2027, a convite da Respect Record, gravadora japonesa especializada em música brasileira. Mas Fred avisa que o álbum não replicará o show — trará novas interpretações e canções inéditas inspiradas no universo criado pelo pai da bossa nova.

SERVIÇO

FRED MARTINS E JAQUES MORELENBAUM - TRIBUTO A JOÃO GILBERTO

Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33, subsolo, Cinelândia)

21/8, às 19h30

Ingressos a partir de R$ 60