Um show que emociona gerações

Em duas horas, Roberto Carlos resume a carreira e vira o maestro de uma plateia cada vez mais crescente de fãs

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Marcelo Perillier

Alguns podem achar que ele já passou da idade de fazer shows. Outros, que ele nunca deve parar. De fato, a cada casa de espetáculo que passa, os lugares lotam rapidamente. Afinal, é o grande nome da música brasileira. Roberto Carlos pode não ser uma simpatia fora dos palcos, mas quando pisa, esbanja alegria diante do seu público, cada vez mais crescente a cada ano que se passa.

No último fim de semana, no Qualistage, a casa de espetáculos do shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, o Rei teria duas apresentações, mas uma delas, no sábado, dia 15, foi adiada para quinta-feira, dia 27, em razão de um problema técnico no sistema de áudio, que não seria resolvido a tempo do show, marcado para começar às 20h30. Porém, no domingo, dia 16, o Rei se apresentou para os seus súditos.

Dos cantores Fábio Jr, Rosemary e Jorge Vercilo; do produtor teatral Cláudio Botelho; do empresário Ricardo Accioly; ao grande público, todos puderam acompanhar um cantor que passou pela Jovem Guarda, fase romântica, músicas religiosas, momentos de vida e tantas outras canções que puderam ser resumidas em duas horas de cantoria.

Se Eduardo Lages é o maestro de sua banda, Roberto Carlos é o maestro da plateia. A todo instante, nos refrões, principalmente, pedia a voz do povo para ser entoada e, quando sentia algum desafino, voltava ao microfone para dar o arranjo correto, pelo tom perfeccionista que é. Aliás, os toques que o impediam de cantar algumas músicas estão sendo curados, pois no momento de músicas de Jovem Guarda, cantou "O Calhambeque" e "Ilegal, Imoral ou Engorda".

Em "Lady Laura", uma linda homenagem a mãe, falando que tem emoção zero de cantá-la, mas um amor infinito que ainda sente a cada palavra de entoa. Afinal, a letra é uma lembrança dos tempos que viveu com a pessoa que mais amou na vida.

Claro que os grandes sucessos não poderiam faltar, como "Como é Grande o meu Amor por Você", com grande coro da plateia no refrão; "Detalhes", "Além do Horizonte", "Olha", "Como vai Você" e "Emoções, que é a abertura do show.

Escrita como inspiração para muitos homens, "Esse Cara sou Eu" é hoje uma das melhores canções que fazem todos brincarem na plateia. E, consideravelmente, uma das que Roberto canta com grande convicção. Isso sem falar no pout-pourri com "Café da Manhã/ Falando Sério/ Seu Corpo/ Seus Botões/" e em duas que emocionaram bastante o público presente: "Mulher de 40", onde ele disse que existem muitas mulheres que tem alma de 40 anos, mesmo não parecerem fisicamente com 40 anos; e "Cavalgada", que fez uma apresentação arrepiante.

Obviamente que não pode faltar as duas clássicas religiosas do Rei: "Nossa Senhora" e "Jesus Cristo". Assim como aquela que ele canta dedicada ao seu grande parceiro e, aos que muitos dizem, o seu grande amigo, Erasmo Carlos — "Amigo".

Para encerrar o show, antes da grande guerra das rosas, literalmente é um guerra mesmo, muitas pessoas se espremendo na boca do palco em busca de uma rosa (vermelha ou branca) com as "bênçãos" do Rei, a canção que batiza a turnê "Eu Ofereço Flores".

Mais do que um show para se emocionar, é um espetáculo para entender como Roberto Carlos é um ícone da música brasileira e consegue arrastar gerações para assitir. Com quase 70 anos de carreira, não a toa é chamado de Rei, por tudo que passou na trajetória da música brasileira e por tudo que inspira artistas de ontem, hoje e de sempre.