Frio? Só se for em casa
Na reta final do Enel Festival de Inverno Rio, a Marina da Glória recebe três noites em que pop, rap, samba e MPB se encontram
Affonso Nunes
ORio de Janeiro possuí um jeito de contrariar as estações. Quando o termômetro baixa e a cidade adota o casaco pela primeira vez no ano, a Marina da Glória acende as luzes e transforma o frio em desculpa para tudo aquilo que o calor do verão às vezes não permite: a convivência prolongada, o encontro entre gerações que não costumam frequentar os mesmos palcos, a descoberta de que artistas que parecem tão diferentes uns dos outros falam línguas muito próximas.
É o Enel Festival de Inverno Rio chega que chega neste fim de semana à reta final de sua nona edição com um lineup que, ao somar nomes, multiplica combinações artísticas. No primeiro fim de semana, Samuel Rosa dividiu o palco com Negra Li. Nando Reis encontrou Arnaldo Antunes — reedição, em chave própria, da parceria que marcou os Titãs nos anos 80. Maria Gadú, Ana Carolina e Marina Lima ocuparam a mesma noite, cada uma trazendo seu sotaque particular para a MPB do século 21. E houve uma maratona do BRock com Titãs, Capital Inicial, Ira! e Trinuto ao Charlie Brown Jr., com ramenescentes da banda do eterno Chorão.
Agora, nos três últimos dias, o festival reabre nesta sexta-feira (31) com Luísa Sonza, Ludmilla e Marina Sena. Três mulheres, três gestos, três maneiras de ocupar a música popular brasileira neste momento.
Luísa Sonza chega ao festival após uma temporada que a levou ao Tomorrowland, na Bélgica — o pop internacional descobriu o que o Brasil já sabia. Ludmilla, que vem trabalhando o projeto "Fragmentos" numa chave mais intimista, encontra no FIR um contraponto: a artista que o funk consagrou agora transita pelos festivais com a naturalidade de quem sempre esteve ali. Marina Sena fecha a noite com a força de seu repertório.
No sábado (1º), os Gilsons sobem ao palco com a herança que aprenderam em casa e a inventividade que lhes é própria. Anavitória traz a delicadeza de seu repertório. E BK', o rapper que tem colocado a cena urbana em ebulição, fecha a noite.
No domingo (2), a noite de encerramento é toda de encontros: Belo convida Gabi Melim. Criolo encontra Rael. Seu Jorge reencontra Marcelo D2. Cada uma dessas combinações carrega uma história. Seu Jorge e Marcelo D2 já dividiram palco e estúdio: "Pode Acreditar" e "A Arte do Barulho" são marcos dessa parceria que mistura samba, rap e a melhor tradição da música urbana carioca. Criolo e Rael compartilham o DNA do rap paulistano, mas é na diferença entre seus caminhos que o encontro ganha interesse. Belo e Gabi Melim, por sua vez, representam o diálogo entre o pagode romãntico noventista e uma nova autoralidade na MPB.
SERVIÇO
ENEL FESTIVAL DE INVERNO RIO 2026
Axia Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, s/nº)
31/7 a 2/8
Ingressos: a partir de R$ 220, à venda no site e aplicativo da Bilheteria Digital