Com fôlego (para cantar e) surpreender

Marcos Sacramento se reinventa com repertório do álbum 'Arco' em apresentação no Espaço BNDES

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Marcos Sacramento diz que em 'Arco' optou em jogar-se no desconhecido

Affonso Nunes

Ainda sob o impacto positivo de "Arco", álbum eleito entre os melhores discos de 2024 pela crítica, Marcos Sacramento apresenta o show homônimo nesta quinta (23), às 19h, no Espaço Cultural BNDES, que marca 40 anos de carreira.

Lançado em 2024 pela Biscoito Fino, "Arco" é um disco de reinvenção. Produzido por Elísio Freitas e com direção artística de Phil Baptiste, o álbum reúne composições autorais e releituras que perpassam samba, MPB, jazz e sonoridades latino-americanas.

"Depois de 40 anos de carreira, quis fazer diferente, me jogar em algo que eu não dominava completamente. Quis juntar forças, conhecimentos e estéticas com artistas com os quais não tinha trabalhado ainda. Deleguei um pouco mais e me deixei ser surpreendido", afirma Sacramento. "O resultado me deixou muito feliz, estou inteiro ali. Acho que o público não só me reconhecerá, como me verá a partir de outra perspectiva", destaca.

As surpresas começam pelo fato de, pela primeira vez, Sacramento gravar em uma língua estrangeira — "Tonada de Luna Llena", do venezuelano Simon Díaz — e entregou-se a uma gravação à capella em "Xangô", samba-enredo do Salgueiro. Também pela primeira vez, dedicou uma canção abertamente ao companheiro: "Para Frido" é uma declaração de amor. "É o arco-íris do disco", define Phil Baptiste.

O repertório do show reúne 23 canções e traça um mapa afetivo da trajetória do artista. Das seis faixas autorais em parceria com Paulo Baiano e Luiz Flávio Alcofra às regravações que ganham novos sentidos, como "Todo o Amor que Houver Nessa Vida" (Cazuza e Frejat) e "Voltei" (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). "Jesus é Preto" é uma crônica biográfica sobre os anos 1980, quando o consumo excessivo de álcool e substâncias atrapalhava sua carreira. Já "Graça", de Thiago Amud, é uma canção de esperança que o sustentou na pandemia.

Com mais de 20 discos lançados, Sacramento acumula feitos expressivos. "A Modernidade da Tradição" foi eleito o melhor disco brasileiro de 1997 pela revista francesa Le Monde de la Musique, e "Sacramentos" foi selecionado pela rádio FIP. Seu trabalho mais recente é um álbum com releituras suas e do violonista Zé Paulo Becker para os afro-sambas de Banden Powell e Vinicius de Moraes. O artista já dividiu o palco com Luiz Melodia, Hamilton de Holanda, Áurea Martins, Zélia Duncan e Diogo Nogueira, entre outros.

No show do BNDES, Sacramento estará acompanhado por Luiz Flavio Alcofra (violão), Netinho Albuquerque (percussão), Rafael Paiva (guitarra), Antonio Dal Bó (piano), Carlinhos (baixo) e Felipe Larrosa Moura (bateria), com participação especial de Zé Paulo Becker (violão).

O álbum se encerra com um mantra que sintetiza o momento do artista: "Ar pra respirar / Arco da Lapa / Arco-íris / Arco e flecha / do Orixá com a gente." A imagem do arco simboliza um artista que olha para a frente e, depois de quatro décadas, ainda encontra fôlego para surpreender a si mesmo e ao público.

SERVIÇO

MARCOS SACRAMENTO - ARCO

23 de julho (quinta), 19h | Espaço Cultural BNDES — Av. República do Chile, 100, Centro (próx. metrô Carioca)

Entrada gratuita (reservas esgotadas online; ingressos remanescentes na recepção a partir das 18h30)

Classificação: Livre