Ampliando os limites do forró

Trio mineiro Manacá da Serra leva guitarra, baixo, bateria e outtros instrumentos a 'Deja Vu', seu segundo álbum de estúdio

Por

Affonso Nunes

Otrio mineiro Manacá da Serra acaba de lançar "Déjà Vu", segundo álbum de estúdio do grupo formado por Bárbara Barcellos (voz e triângulo), Theo Lustosa (sanfona) e Dil Brasil (zabumba). Com nove faixas, o trabalho amplia a ponte musical que o grupo mantém entre Minas Gerais e o Nordeste — e estreia uma rota inédita até Sorocaba (SP), base do produtor Gustavo Marques, que assume pela primeira vez a parceria com o trio. A coprodução e direção artística ficam com Theo Lustosa.

Das nove faixas, oito são autorais — seis inéditas e duas regravações — e uma é de Affonsinho Heliodoro, parceiro recorrente na trajetória do grupo, autor de "Vagalumes". A conexão entre Minas e Nordeste, marca do grupo, é notória em "Coisa de Maria, Coisa de José", com o grupo pernambucano Banda de Pau e Corda, na voz de Sérgio Andrade, e a viola do também pernambucano Renato Bandeira.

A cantora Janayna Pereira, nome de destaque do forró contemporâneo, divide os vocais com Bárbara em "Vagalumes". Fran Nóbrega, instrumentista ativa na cena paulistana, participa de "Quando Vem". Jorge Continentino entra no pife de "Cadê Neném", único instrumental do álbum, homenagem ao filho de Bárbara e Theo.

Merece destaque a presença de Dominguinhos em "Menino Angola". O lendário sanfoneiro, falecido em 2013, teve a voz recuperada a partir de gravação anterior e sobreposta ao canto de Bárbara, criando um dueto virtual que o grupo trata como homenagem ao mestre. A canção, parceria de Theo Lustosa com Paulinho Motta, já havia sido gravada por Dominguinhos em dueto com Zeca Baleiro.

O Manacá tira o chapéu reverenciar o forró clássico, mas segue adiante ao introduzir guitarra, baixo, flauta e bateria junto aos instrumentos que formam a santíssima trindade forrozeira. "Festejo Latino-América", faixa de encerramento, traça um percurso de congados e marujadas mineiras até ritmos do Caribe. "Lilith", regravação de canção popular nos forrós de Itaúnas (ES), ganha nova leitura. "Cartas de Amor" reflete sobre o lugar do clichê na canção popular.

"Déjà Vu" sucede o EP "Jangada" (2025) e o álbum "Trio" (2023). O Manacá da Serra se firma como um dos grupos que ampliam os limites do forró.