Rio sedia seminário nacional sobre rodas de samba, patrimônio e economia criativa

Seminário promovido pelo MinC discute economia e preservação das rodas de samba

Por Affonso Nunes

Moacyr Luz

O Rio sedia nesta semana, entre segunda e quarta-feira (22 a 24) o 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba, encontro que coloca as manifestações de samba no centro de um debate sobre economia criativa, patrimônio cultural e políticas públicas. O evento, realizado pelo Ministério da Cultura, reúne sambistas de diferentes gerações, pesquisadores, gestores públicos e lideranças culturais de todo o país.

A programação acontece em dois espaços simbólicos da cultura carioca: o Palácio Gustavo Capanema, sede histórica do MinC, nos dias 22 e 23, e o Renascença Clube, no dia 24. O seminário é organizado em torno de quatro eixos temáticos: economia do samba e economia criativa das ruas; memória, identidade, território e patrimônio; inovação e novas gerações; e políticas públicas com participação social.

A abertura, na manhã do dia 22, traz uma conferência com Sereno, fundador do Fundo de Quintal, Wanderso Luna da Rede Carioca de Rodas de Samba, a deputada federal Benedita da Silva — autora da Lei da Salvaguarda do Samba — e Dorina Barros, do coletivo Mulheres na Roda de Samba. O primeiro painel do dia discute economia do samba com João Grand Jr., Anderson Lins do SESC RJ, Marquinhos de Oswaldo Cruz e Ellen Oliveira, do Festival Divas do Samba.

No segundo dia, a programação aprofunda questões de memória e identidade com Helena Theodoro, que aborda a trajetória de Tia Ciata; Samora Lopes, do Banjo Novo, falando sobre o samba baiano; Tadeu Kaçula, sobre o samba paulistano; e Fabiola Machado, sobre as rodas cariocas. À tarde, o seminário discute inovação e novas gerações com Nilcemar Nogueira, do Dossiê Matrizes do Samba, Simony Maia, da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, e Dani Miranda, do Blog de Samba. Um segundo painel reúne Rafa Rafuagi, Rogério Família, Aline Calixto e Cláudia Ajeum para debater articulação cultural e movimento.

O encerramento, no dia 24, traz uma mesa com Nei Lopes — compositor, pesquisador e historiador especializado em estudos afro-brasileiros — Teresa Cristina, Moacyr Luz e Márcio Tavares, secretário-executivo do MinC. À noite, uma roda de samba comandada por Marcelinho Moreira homenageia Tia Surica.

Mais do que mero entretenimento, as rodas de samba são redes de sociabilidade da população, preserva as tradições afro-brasileiras e gera renda. Presentes em milhares de comunidades, movimentam trabalhadores da cultura, fortalecem identidades locais e mantêm vivas práticas que atravessam gerações. O seminário reconhece essa importância ao colocar as rodas como objeto de reflexão sobre desenvolvimento territorial e economia criativa — temas que ganham relevância em um contexto onde políticas públicas para cultura ainda enfrentam desafios de financiamento e reconhecimento institucional.

O encontro também marca uma mudança de perspectiva: em vez de tratar o samba apenas como patrimônio a ser preservado, o seminário o aborda como força econômica e social viva, capaz de gerar renda, ocupar espaços públicos e transformar territórios. A participação de gestores públicos, deputados e representantes de instituições como Funarte e Iphan aproximar o movimento das rodas de samba das agendas de políticas públicas — ação que pode resultar em ações concretas de fomento e salvaguarda.

SERVIÇO

1º SEMINÁRIO NACIONAL DAS RODAS DE SAMBA: CIDADE, PATRIMÔNIO E DESENVOLVIMENTO

22, 23 e 24/6

Palácio Gustavo Capanema (Rua da Imprensa, 16, Centro)

Renascença Clube (Rua Barão de São Francisco, 54, Andaraí)

Entrada franca