Conectada às tradições diaspóricas
Pesquisadora de música afro-brasileira, a pulista Renata Alves apresenta seu show 'Agôfunfè' ao Espaço BNDES nesta quinta
Affonso Nunes
Ecantora e compositora paulista Renata Alves é a atração da edição desta semana do projeto Quintas no BNDES com um espetáculo que sintetiza suas pesquisas em torno da música de matriz afro-brasileira. "Agôfunfè" ancora-se em práticas ancestrais e na força expressiva da música negra.
Agôfunfè é um termo que vem do iorubá. A palavra pode ser decomposta em elementos que remetem a invocação, chamado ou celebração. Formada em Canto Popular pela Universidade Estadual de Campinas e pela EMESP - Tom Jobim, Renata construiu sua trajetória artística investigando as sonoridades da diáspora africana. Seu trabalho dialoga com o samba, com ritmos afro-diaspóricos e com saberes que atravessam o oceano que separa Brasil e África.
No show, a artista explora um arranjo instrumental que privilegia a percussão: tambores, ferros, molhos e vozes se articulam com um violão que conversa com claves e ritmos africanos. Ao lado dela, Nicolas Farias e Otavio Andrade (precssao) e Pietro Battiato (violão) formam um quarteto entrosado.
O repertório mistura composições autorais com referências que vão de Os Tincoãs e Dorival Caymmi até Sidney da Conceição. Peças como "Lunda", "Akí Ode" e "Quelé" (todas de Renata Alves em parceria com Nicolas Farias) convivem com clássicos da música preta brasileira.
Renata explica que trabalha com uma abordagem que conecta ancestralidade, identidade e contemporaneidade — uma estética negra tanto política quanto poética.
Renata Alves é uma artista que merece visibilidade. Seu trabalho rigoroso de pesquisa, sua formação sólida e sua capacidade de transformar investigação acadêmica em performance.
SERVIÇO
RENATA ALVES - AGÔFUNFÈ
Espaço Cultural BNDES (Av. Chile, 100) | 28/5,
às 19h | Ingressos grátis, com distribuição
de senhas a
partir das
18h30