Do lundu ao choro
'Choro Carioca: Música do Brasil' reúne cinco instrumentistas de excelência em show que traça a trajetória do gênero desde a chegada da Corte Portuguesa
Quando a Corte Portuguesa desembarcou no Rio em 1808, trouxe consigo pianos e violões que logo se misturaram ao batuque, à modinha e ao lundu das ruas cariocas. Dessa fusão nasceu o choro, gênero que hoje completa mais de 150 anos como a raiz de toda música que o Rio produziria depois. Nesta terça-feira (19) o projeto Terças no Ipanema oferece um mergulho nessa história através do show "Choro Carioca: Música do Brasil", com um elenco que reúne cinco dos principais intérpretes do gênero.
Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Cristovão Bastos, Aquiles Moraes e Magno Julio formam o quinteto que percorre composições de mestres como Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Dino 7 Cordas e Altamiro Carrilho. O roteiro segue uma lógica cronológica: começa nos ritmos que precederam o choro — lundu e polca — passa pelas rodas de diferentes épocas e chega ao choro contemporâneo, sempre acompanhado por projeções que mostram as transformações da cidade ao longo dos séculos.
O choro, no entanto, não é apenas um gênero musical. É um modo de fazer música, frequentemente improvisado e baseado na interação entre instrumentistas. Historicamente, nasceu nas rodas informais do Rio século XIX, onde músicos de diferentes origens sociais se reuniam para tocar. Sua sofisticação harmônica e melódica o diferencia de outros gêneros populares, e sua influência permeia o samba, a bossa nova e outras manifestações musicais brasileiras que vieram depois.
Fotografias raras dividem espaço com obras de Portinari e Debret, enquanto registros de Lima Barreto e Paulo César Pinheiro pontuam momentos do espetáculo. A ideia é deixar evidente, como defende Luciana Rabello — idealizadora do projeto — que "a história da cidade do Rio de Janeiro e do choro são indissociáveis". "O público precisa compreender a grandeza dessa música, com a seriedade e a profundidade que o choro merece", comenta a instrumenstista que, junto com Maurício Carrilho, fundou a Casa do Choro, espaço na Rua da Carioca dedicado a shows do gênero e cursos de formação musical.
A direção musical e os arranjos têm a assinatura de Mauricio Carrilho e Pedro Aragão e Zeca Ferreira assina a direção de imagem. O espetáculo é uma produção do Terças no Ipanema, projeto que desde janeiro de 2025 ocupa o palco do Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa. Na primeira temporada, o projeto registrou 90% de ocupação ao longo de 50 apresentações, consolidando-se como uma iniciativa de retorno da música ao espaço histórico.
SERVIÇO
CHORO CARIOCA: MÚSICA DO BRASIL
Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa (Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema)
19/5, às 20h | Ingressos: R$ 100 e R$ 50 (meia)