Travessia entre terra e espiritualidade

Banda formada por mulheres, Jazz das Minas apresenta seu álbum 'Ayé Orun'

Por Affonso Nunes

O Jazz das Minas define sua sonoridade como 'jazz de terreiro'

Banda formada por mulheres, Jazz das Minas apresenta seu álbum 'Ayé Orun'

O celebrado Jazz das Minas leva nesta sexta (24) ao palco do Manouche, às 21h, o espetáculo "Ayé Orun" que o grupo define como a travessia poética entre a terra (Ayé) e o mundo espiritual (Orun), conduzida pelas Grandes Mães Orisa. Formado integralmente por mulheres — no palco e na coxia — o grupo tem a direção da pianista, cantora e compositora Ifátókí Maíra Freitas, filha de Martinho da Vila. O que elas chamam de "jazz de terreiro" é um encontro de estilos, axé e reinvenção, sempre em diálogo com as ancestrais que marcaram a música preta brasileira e internacional.

O repertório do grupo mescla composições autorais com homenagens a grandes referências como Nina Simone, Elza Soares, Dona Ivone Lara e Alcione através de releituras focadas na sabedoria e força daquelas que abriram caminhos. Os arranjos sofisticados, cheios de swing, convidam o público a dançar e se conectar com a proposta do grupo.

O show se estrutura em torno de temas que atravessam a experiência feminina em suas múltiplas dimensões. O espetáculo fala de cura e renascimento, trazendo canções sobre nascimento, maternidade, maturidade feminina, culpa, amor e afeto.

A formação do grupo reúne instrumentistas de diferentes idades, classes sociais e localidades que se encontram em cumplicidade criativa, diversidade que reflete a visão de Ifátókí Maíra Freitas de que o jazz pertence a todas as mulheres, independentemente de origem ou trajetória. (A. N.)

SERVIÇO

JAZZ DAS MINAS — AYÉ ORUN

Manouche (R. Jd. Botânico, 983)

24/3, às 21h | R$ 120 e R$ 60 (meia)