Júlia Vargas assume sua voz autoral

'D'Água', quarto álbum da artista, carrega o signo da reinvenção com faixas próprias e releituras com sua grife de intérprete

Por Affonso Nunes

Julia Vargas revela que rompeu a barreira de falar sobre si mesma ao compor as faixas autorais de 'D'Água'

'D'Água', quarto álbum da artista, carrega o signo da reinvenção com faixas próprias e releituras com sua grife de intérprete

Depois de 15 anos construindo uma sólida carreira como intérprete, Julia Vargas coloca suas próprias composições pra jogo. "D'Água" (Biscoito Fino), seu quarto álbum, é o primeiro trabalho em que ela seu lado compositora.

O novo disco reúne três canções assinadas por Julia. "Pavio", em parceria com Duda Brack, abre essa conversa; "Vem" e "Atrás da Cortina da Pantera" são integralmente suas. "Os álbuns que eu gravei anteriormente eram projetos de intérprete. Agora estou começando a trazer as minhas canções, movimento novo na minha história", explica Julia.

A artista reconhece a insegurança que acompanhou esse processo. "Sempre tive uma timidez muito grande para falar sobre mim. Tenho referências tão fortes de poetisas e poetas incríveis, que quando eu começava a compor, achava tudo pequeno, bobo. Só depois fui entendendo que a minha maneira de compor tem a sua beleza, também".

A mudança reflete uma transformação pessoal. "Sempre fui muito solar. Depois de alguns atravessamentos na minha vida, comecei a dar mais voz para esse lugar lunar, lugar dos sentimentos, extremamente feminino", comenta Julia. Essa introspecção permeia o álbum, que se afasta do pop para abraçar influências do R&B, soul e blues. "É totalmente diferente de tudo que eu vinha fazendo. Ele traz suavidade, um jeito de cantar mais suave. A sonoridade está mais para o R&B, para o soul, uma coisa mais bluseira, mas rock'n'roll também", define.

Além das autorais, "D'Água" traz reinterpretações de clássicos. Julia escolheu "Comportamento Geral", de Gonzaguinha, e "Maluca", de Luís Capucho, que ganhou versão memorável de Cássia Eller. Nesta última, Julia convida Zélia Duncan para um dueto que celebra Cássia. "Quando a gente gravou 'Maluca', eu me arrepiei inteira: me emocionei como se a Cássia estivesse lá", lembra Julia, que participou do tributo a Cássia Eller no Rock in Rio de 2015.

A outra convidada é Roberta Sá, com quem Julia divide "Sinceramente", de Khrystal e Moyseis Marques. Do repertório de Lhuli, Julia escolheu "Flor Lilás". "Bomba", de Nicolas de Francesco e Alisson Sant, completa o disco.

Divulgação - D'Água, Julia Vargas

O álbum foi construído com João Bittencourt (teclado e acordeom), Gabriel Barbosa (bateria), Marcos Luz (baixo) e Gui Marques (sintetizadores), que divide a produção musical com Julia Vargas.

"'D'Água' é um grito de liberdade. Ele fala sobre coragem, é todo o desaguar de sentimentos guardados. Tem muito a ver com o que estou vivendo hoje, mas também é o fechamento de ciclo, para que novos se iniciem", destaca.