Um concerto para Radamés
Orquestra Furiosa Portátil celebra compositor fundamental em temporada 2026 na Casa do Choro
Orquestra Furiosa Portátil celebra compositor fundamental em temporada 2026 na Casa do Choro
Projeto educacional da Escola Portátil de Música (EPM), a Orquestra Furiosa Portátil inicia sua temporada 2026 com um concerto inteiramente dedicado a Radamés Gnattali (1906-1988), figura central da música brasileira do século 20. O evento marca também os 120 anos de nascimento do compositor, que deixou uma obra monumental: mais de 300 peças de concerto e 200 títulos na música popular, além de milhares de arranjos.
Mas a relevância de Gnattali está acima de simples números. "Radamés foi pianista de primeira, compositor brilhante e incansável, além de arranjador fundamental na construção da música brasileira", destaca Maurício Carrilho, diretor da Casa do Choro. O músico nunca lecionou formalmente, mas ensinou através da prática: "aprendendo, ouvindo, tocando, juntando sons e gente, generosamente". Tom Jobim o considerava um mestre, um pai musical.
No choro, Gnattali foi modernizador desde os anos 1930. Sua suíte "Retratos" (1956), posteriormente adaptada para bandolim e conjunto de choro nos anos 1970, tornou-se marco que redefiniu o gênero e influenciou gerações posteriores. A Casa do Choro abriga desde 2023 o Acervo Radamés Gnattali, completamente reorganizado, recondicionado e digitalizado sob curadoria de Roberto Gnattali.
O programa traz arranjos históricos do acervo, peças não tocadas desde a era de ouro da Rádio Nacional como "Fumaça do Meu Cachimbo" e "Choro Sofisticado", além de novas adaptações criadas especialmente para a Orquestra Portátil. O repertório reúne obras que exemplificam a versatilidade do compositor: desde choros sofisticados até sambas e valsas, demonstrando sua maestria seja na música de concerto seja na música popular.
Formada em 2005, a Orquestra Portátil nasceu como uma prática coletiva da EPM e se consolidou como referência nacional no ensino e difusão do choro, gênero reconhecido como patrimônio cultural brasileiro. A proposta é unir a força sonora de uma orquestra à espontaneidade popular do choro, oferecendo uma experiência musical que emociona e educa.
A coordenação geral é da cavaquinista Luciana Rabello, fundadora da Casa do Choro e da EPM, e a regência dos concertos é assinada pelo maestro e pesquisador Pedro Aragão (professor da UniRio). "Levar a Orquestra Portátil a diferentes regiões é um ato de amor à nossa cultura. A proposta é justamente descentralizar o acesso e valorizar o choro como expressão viva e contemporânea. O circuito no Rio de Janeiro, em regiões periféricas, reforça nosso propósito de formar músicos e públicos em todo o Brasil, mantendo viva a tradição do choro em diálogo com o presente", destaca Luciana.
RADAMÉS GNATTALI 120 ANOS
SERVIÇO
Casa do Choro (Rua da Carioca, 38 - Centro)
25 e 26/3, às 19h
Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia)