Alfredo Dias Gomes, o retrato de um artista inquieto

Baterista celebra fase criativa entre música e audiovisual com álbum ao vivo

Por Affonso Nunes

Alfredo Dias Gomes revela a coesão sonora de seu quinteto em 'Ao Vivo'

Baterista celebra fase criativa entre música e audiovisual com álbum ao vivo

Filho de dois grandes dramaturgos - Dias Gomes e Janete Clair -, Alfredo Dias Gomes escreve sua história com a baqueta. O baterista acaba de lançar o álbum "Ao Vivo", registro de uma apresentação do músico e seu quinteto em destacada permomance de jazz fusion. O trabalho converge com o reconhecimento internacional que o artista vem colhendo no audiovisual e foi gravado em abril de 2025 durante o lançamento de seu filme de animação "A Escritora".

A carreira de Alfredo Dias Gomes atravessa décadas de colaborações significativas. Aos 18 anos, estreou profissionalmente tocando na banda de Hermeto Pascoal, com quem gravou o disco "Cérebro Magnético" e participou de festivais internacionais como o II Festival Internacional de Jazz de São Paulo/Montreux.

O músico trabalhou com Ivan Lins, Ricardo Silveira e Nico Assumpção, além de integrar a formação original do Heróis da Resistência, banda de rock que fez sucesso nos anos 1990. Sua discografia solo, iniciada em 1991, inclui títulos como "Atmosfera" (1996), "Ecos" (2000), "Groove" (2005) e "Corona Borealis" (2010), entre outros.

Nos últimos anos, sua energia criativa transbordou para o audiovisual. Seu curta "Saudade" (2021) arrebatou prêmios de melhor animação no Cannes Indie Festival e no New York Independent Cinema Awards. Agora, "A Escritora" recebeu indicação de Melhor Filme de Inteligência Artificial no World Film Festival de Cannes e conquistou a vitória na mesma categoria no Swedish Film Festival. Essa versatilidade criativa reflete a inquietude que define o artista em sua fase atual.

O álbum reafirma seu compromisso com o jazz fusion em sua forma mais desafiadora. O quinteto formado por Widor Santiago (saxofone), Yuval Ben Lior (guitarra), Berval Moraes (baixo) e Renan Francioni (teclados) abre com "Some Skunk Funk" dos Brecker Brothers, uma explosão de eletricidade. "Red Baron" de Billy Cobham segue com um groove hipnótico que ganha novas texturas, enquanto "A Remark You Made" de Joe Zawinul oferece o momento lírico da noite, carregado de sensibilidade melódica que conecta diretamente com o trabalho audiovisual de Alfredo.

"Funky Waltz", de Alphonse Mouzon, é uma aula de balanço em compasso ternário, explorando a métrica 3/4 com um suingue raro. "Shoreline", também de Mouzon, é um exercício de contenção repleto de pausas estratégicas e dinâmica cuidadosa. O álbum encerra em alta voltagem com "Quadrant 4" de Billy Cobham, onde velocidade e técnica extrema culminam em um solo que confirma o virtuosismo de Dias Gomes.

Divulgação - Ao Vivo, álbum de Alfredo Dias Gomes

 

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