Guilherme Arantes e o prazer insubstituível de fazer música

Cantor e compositor marca meio século de carreira com turnê que celebra cinco décadas de clássicos

Por Affonso Nunes

Guilherme Arantes volta aos palcos em turnê que homenageia trajetória de sucessos inaugurada com 'Meu Mundo e Nada Mais'; Ao lado, o músico em imagem dos anos 1970

Cantor e compositor marca meio século de carreira com turnê que celebra cinco décadas de clássicos

Guilherme Arantes tinha 22 anos quando lançou "Meu Mundo e Nada Mais" em 1976. Nem ele e nem nós seríamos capazes de imaginar que aquela canção se tornaria apenas o primeiro de uma penca de sucessos de sua autoria. Cinco décadas depois, o cantor e compositor paulista retorna aos palcos neste sábado (14), no Vivo Rio, para celebrar 50 anos de uma carreira notável com o espetáculo "50 Anos-Luz".

Iniciado em 1973 com a banda Moto Perpétuo, o percurso de Arantes ganhou força própria a partir de seu primeiro álbum solo, em 1976, justamente o ano em que "Meu Mundo e Nada Mais" se transformou em trilha sonora da novela "Anjo Mau". O sucesso daquela canção abriu portas para uma trajetória que o levaria a dominar as paradas de sucesso durante os anos 1980, período em que se consagrou como um dos hitmakers mais populares e criativos da cena musical nacional.

A discografia de Guilherme Arantes comprova sua consistência. Após o álbum de estreia, vieram "Ronda Noturna" (1977), "A Cara e a Coragem" (1978) e "Estatísticas" (1979), consolidando sua presença no mercado fonográfico. Mas foi na década de 1980 que sua obra atingiu o pico de influência, gerando sucessos que se tornaram parte do imaginário coletivo brasileiro. Canções como "Amanhã", "Planeta Água", "Um Dia, Um Adeus" e "Cheia de Charme" não apenas dominaram as paradas, mas também se transformaram em trilhas de novelas, ecoando todas as noites Brasil adentro.

Reprodução - Guilherme Arantes em imagem dos anos 1970

Com mais de 30 composições eternizadas em novelas, o músico paulistano viu suas criações interpretadas por algumas das maiores vozes da música brasileira: Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Zezé Di Camargo & Luciano e Anavitória, entre outros.

A turnê "50 Anos-Luz" promete ser um espetáculo que une tecnologia, emoção e a intensidade característica de um artista que nunca parou de trabalhar - são mais de 140 apresentações anuais ao longo de sua carreira.

"São 50 anos de aprendizado, do prazer insubstituível de fazer música. E completar uma data assim, redonda, é ter vivido esse exercício de sobrevivência ao tempo, às camadas de modas e tecnologias. Por isso, eu comemoro com um álbum cheio de inéditas e uma agenda generosa, para brindar o público com o mesmo prazer que me trouxe até aqui", afirma, referindo-se ao álbum "Interdimensional", lançado em janeiro.

A efeméride dos 50 anos de carreira amarra um ciclo artístico real, já que tantos elementos que compõem o novo disco se comunicam diretamente com o que já existia em seu álbum de estreia. "Volta à tona o compositor que combinava Chopin e rock progressivo, Tom Jobim e Clube da Esquina, Maysa e Ernesto Nazareth. São confluências que só se deram ali, sob a curadoria de Guilherme Arantes, debaixo do guarda-chuva de interesses tão particulares dele", afirma o produtor Marcus Pretto.

Segundo o compositor, uma das premissas de Interdimensional era preservar a longa duração natural de várias faixas. "O tempo das canções não deveria nunca mais obedecer aos ditames do algoritmo ou de qualquer padrão. Não vale mais fazer esse sacrifício na hora de compor, já que a adequação da 'música de mercado' simplesmente perdeu a razão de ser", comenta o artista. "Talvez estas não sejam mais canções para este tempo atual, tão imagético e caricato. "Talvez estejam mais ligadas a um passado glorioso. Ou sejam projeções para um futuro qualquer, mais generoso e que dê valor aos sons e às palavras. O tempo de tentar se enquadrar em gavetinhas de dois minutos já ficou há muito para trás", continua.

Essa capacidade de renovação é a face mais marcante de Guilherme Arantes e sua obra.

SERVIÇO

GUILHERME ARANTES - 50 ANOS-LUZ

Vivo Rio (Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo)

14/3, às 22h

Ingressos a partir de R$ 220 e R$ 110 (meia)