Badi Assad, o violão, a voz e um corpo em cena
Violonista celebra 35 anos de carreira com disco de inéditas em parceria com compositores da sua geração
Violonista celebra 35 anos de carreira com disco de inéditas em parceria com compositores da sua geração
Nascida no berço do choro, do violão de concerto e da moda de viola, Badi Assad inventou um jeito único de cantar e tocar — da plateia, não se sabe de onde saem tantos sons de uma mulher só com sua voz e seu violão. Aos 35 anos de carreira e mais de 50 países percorridos em quase 200 turnês, ela chega ao Manouche nesta terça-feira (3) para lançar "Parte de Tudo Isso", álbum de inéditas escrito por compositores e compositoras da sua própria geração — aquela que, nos anos 1990, retomou os princípios antropofágicos e inquietos da Tropicália e foi até chamada de novos tropicalistas.
Paulista de João da Boa Vista, Badi vem de família musical - seus irmãos Sérgio e Odair formam o mundialmente reconhecido Duo Assad. Começou a estudar violão aos 14 anos sob orientação do pai, aperfeiçoando a técnica no curso de violão clássico da UFRJ e logo ingressando na Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, regida por Turibio Santos. Desde o primeiro disco solo, pavimentou trajetória marcada pela ousadia criativa e pela recusa em pertencer a um único gênero. Com 14 álbuns, realizou turnês em mais de 50 países. Sua singularidade está na integração de voz, violão e corpo em cena — uma performer que usa a boca como instrumento de percussão e o palco como laboratório sensorial.
O disco reúne canções de Chico César, Nando Reis, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Ana Costa, Moska, Adriana Calcanhotto, Ceumar, André Abujamra, Pedro Luís e Otto — um caldeirão de sotaques, ritmos e síncopes que marcou uma virada no fim do século 20 e que Badi traz para o seu universo muito peculiar.
Com produção de Marcus Preto e Tó Brandileone, o álbum foi gravado no melhor modo anos 70, com as coisas se ajeitando ao vivo: base finíssima com Debora Gurgel ao piano, Serginho Machado na bateria e Fabio Sá no contrabaixo, além de participações de Swami Junior, Nailor Proveta e Marcos Suzano. "Tem óleo, azeite, cuidado", define Badi sobre "Bordadura Serena", parceria com Pedro Luís. Em "Ser Humano é Floresta", com Abujamra, o violão vem forte como o tema: "cada ramo é uma escolha."
Para esta noite especial, Badi se apresenta ao lado da percussionista Simone Sou, parceira de palcos no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa — juntas, são também autoras de "Feminina", canção adotada por círculos de mulheres por todo o país como um canto de comunhão. O show conta ainda com as participações do violonista estadunidense Kevin Callahan e do acordeonista moldávio Oleg Fateev.
SERVIÇO
BADI ASSAD - PARTE DE TUDO ISSO
Manouche (Rua Jardim Botânico, 983)
3/3, às 20h
Ingressos: R$ 140 e R$ 70 (meia solidária, mediante 1kg de alimento ou livro para doação ao Retiro dos Artistas)
