Prazer, Zé Renato... mas pode me chamar de bamba

Temporada "Samba e Amor" reúne grandes nomes do gênero para celebrar os 50 anos de carreira e os 70 anos do cantor e compositor

Por Affonso Nunes

Zé Renato mostra seu lado sambista em temporada de quatro apresentações no Teatro Ipanema Rubens Corrêa

Temporada "Samba e Amor" reúne grandes nomes do gênero para celebrar os 50 anos de carreira e os 70 anos do cantor e compositor

Do alto de uma discografia de 34 álbuns, oito dedicados exclusivamente ao samba. Esse conta desmente qualquer tentativa de encaixar Zé Renato numa caixinha só. O público que o conhece pela "Toada", pelos anos de Boca Livre ou pela reputação de ter uma das vozes mais belas da música popular brasileira talvez não saiba o sambista ele é, sendo, inclusive, uma das faces mais consistentes e apaixonadas de sua obra. E neste mês, o cantor e compositor assume esse jeito bamba de ser em quatro terças-feiras no Teatro Ipanema Rubens Corrêa, numa temporada que marca 70 anos de vida e 20 de trajetória artística.

A temporada "Samba e amor", dentro do projeto Terças no Ipanema, nos dias 3, 10, 17 e 24 de março, percorre a espinha dorsal da relação de Zé Renato com o gênero. O repertório parte dos próprios discos — dos autorais aos tributos gravados ao longo da carreira — e avança para território ainda inexplorado em estúdio. "Eu farei um roteiro básico com o repertório dos discos de samba que gravei", explica o artista, citando álbuns como "Cabô" (2000), inteiramente dedicado às suas composições no gênero como "Pandeiro" e "A Alegria Continua", gravado com Elton Medeiros e Mariana de Moraes. Mas não para por aí: "Também vou cantar músicas que ainda não gravei, de autores como Nelson Cavaquinho e Dorival Caymmi", adianta.

A cada noite, o palco se abre para convidados que compartilham com Zé laços de parceria e afinidade artística. Na estreia, em 3 de março, o chamado é para Nei Lopes, parceiro de "Pandeiro" e de outros sambas do repertório, como "Cândidas Neves" — além de clássicos compostos por Nei com Wilson Moreira, como "Senhora Liberdade". No dia 10, chegam Pedro Luís e Paulinho Moska, dois dos parceiros mais presentes no já citado "Cabô".

A terça 17 concentra três convidados. Teresa Cristina divide o palco para cantar sambas feitos em parceria, como "Pra Cobrir a Solidão" e "Delicada". A noite recebe ainda dois mestres dos instrumentos: o violonista Cláudio Jorge — vencedor do Grammy de melhor disco de samba de 2024 — e o percussionista Marcelinho Moreira, presença fiel na banda de Zé Renato desde o disco Cabô, ambos também cantores e compositores com obra própria.

Para encerrar a temporada, no dia 24, o palco se transforma numa espécie de reedição ao vivo de "A Alegria Continua", com Mariana de Moraes, Vidal Assis — compositor e cantor que acaba de lançar um álbum dedicado a Elton Medeiros — e o maestro e compositor Francis Hime.

O fio condutor das quatro noites é o próprio percurso de Zé Renato pelo samba — dos clássicos imortais aos contemporâneos, dos autorais às homenagens. Do tributo a Silvio Caldas, vem "Viva Meu Samba", de Billy Blanco, que empresta o nome à série de shows. De Zé Kéti, "Mascarada" e "Diz Que Fui Por Aí". De Noel Rosa e Chico Buarque, "Feitio de Oração" e "Samba do Grande Amor". De Paulinho da Viola, "Sofrer". E ainda inéditos no repertório ao vivo, como "Siri Recheado e o Cacete", de João Bosco e Aldir Blanc, e composições próprias como "Pra você Gostar de Mim", parceria com Joyce Moreno. Ao violão de seis cordas, tendo ao lado Carlinhos 7 Cordas e o multipercussionista Paulino Dias, Zé Renato vai riscando no palco um mapa sonoro e afetivo do gênero visto pelos seus olhos.

SERVIÇO

ZÉ RENATO -SAMBA E AMOR

Teatro Ipanema Rubens Corrêa (Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema)

3 a 24/3, sempre às terças (20h) | Ingressos: R$ 80 e R$ 40 (meia)