Theatro Municipal divulga sua temporada 2026

Casa recebe, de março a dezembro, seis óperas, quatro balés e três concertos

Por Affonso Nunes

Imagem de concerto da temporada 2025 do Theatro Municipal


Uma ópera que não subia ao palco há oito décadas, um centenário de Puccini, os 270 anos de Mozart e um balé com sessões esgotadas em 2025 que volta com ainda mais expectativa. A temporada 2026 do Theatro Municipal chega com seis óperas, quatro balés e três concertos, de março a dezembro, com os corpos artísticos da casa — Orquestra Sinfônica, Coro e Ballet — no centro de tudo. Em cinco anos consecutivos de gestão artística consolidada, o Municipal reafirma sua posição como o principal espaço lírico do país e avança na construção de um público cada vez mais plural e diverso.

"Desenhar uma quinta Temporada Artística Oficial consecutiva no maior palco lírico do Brasil é uma honra e alegria imensas", afirma Eric Herrero, diretor artístico da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro. "Traremos programas de alta qualidade protagonizados pelos Corpos Artísticos da casa — Coro, Ballet e Orquestra — com grandes artistas convidados. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro segue produzindo, revelando artistas, formando profissionais em diversas áreas do nosso setor, valorizando sua vocação, que são o Ballet, a Ópera e a Música de Concerto." Para Clara Paulino, presidente da Fundação, abrir o Theatro para mais uma temporada tem sabor de conquista coletiva: "O Ballet, o Coro, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro trazem sempre o que há de melhor para nosso público."

Imagem criada com a IA Flux Kontext Pro - A Grande Missa em Dó Menor - K427, de Mozart, abre a programação do Municipal no dia 13

Março

A temporada tem abertura oficial marcada para o dia 13, às 19h, com a execução da "Grande Missa em Dó Menor — K427", de Mozart, interpretada pelo Coro e pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal (OSTM), sob regência do maestro titular Felipe Prazeres. Antes do concerto, um mimo: o público será recepcionado por uma apresentação dos Pequenos Mozart nas escadarias do Theatro. 2026 marca os 270 anos de nascimento do compositor austríaco, e a obra, de imponente escala coral e profundidade espiritual, é um dos pontos mais altos de seu catálogo — mesmo inacabada. "A 'Grande Missa em Dó Menor' inspira profundidade e espiritualidade e representa um dos momentos mais marcantes do maior prodígio de todos os tempos", celebra Prazeres.

Ainda em março, a OSTM apresenta, nos dias 21 e 22, sempre às 16h, o "Concerto Didático" — um dos projetos mais acessíveis e populares da programação da casa, voltado ao encontro entre o grande público e o universo orquestral. Com texto de Eric Herrero, direção cênica de Daniel Salgado e regência de Anderson Alves, o concerto percorre repertório que vai de Villa-Lobos e Oscar Lorenzo Fernández a Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Rossini e Tchaikovsky, contando ainda com a participação da bailarina Liana Vasconcelos e do palhaço Marshmallow, interpretado por Ludoviko Vianna.

Daniel Ebendinger/Divulgação - 'Carmina Burana', de Carl Orff, volta a ser montada este ano

Abril

Em abril, entre os dias 8 e 12, "Carmina Burana" retorna ao palco. A obra de Carl Orff, apresentada em 2025 com sessões esgotadas, volta ao Municipal em formato de ópera-balé, com concepção e direção cênica de Bruno Fernandes e Mateus Dutra, e direção musical e regência de Victor Hugo Toro. A leitura cênica contemporânea da peça, composta em 1935-1936 com base em poemas medievais, é um dos espetáculos mais aguardados do primeiro semestre.

Maio

Maio traz "La Fille Mal Gardée", um dos balés mais antigos ainda em repertório ativo. A versão original foi apresentada em 1789, no Grand Théâtre de Bordeaux, e ganhou nova dimensão em 2024, quando a coreografia do uruguaio Ricardo Alfonso — criada para o Ballet Nacional Sodre, de Montevidéu — foi recebida com entusiasmo pelo público carioca. A produção retorna agora ao Municipal, novamente com coreografia e concepção de Alfonso e regência de Jésus Figueiredo, com o Ballet e a Orquestra Sinfônica da casa. As apresentações ocorrem nos dias 14 a 24 de maio, em récitas às 19h e às 17h nos finais de semana.

Acervo CEDOC/FTMRJ - Francisco Mignone no Café do Theatro Municipal em 1978

Junho

Junho é o mês da música brasileira. O projeto "Música Brasileira em Foco" homenageia três compositores fundamentais da história do concerto nacional: Francisco Mignone, cujo falecimento completa 40 anos, com a obra "Festa nas Igrejas"; Radamés Gnattali, que teria completado 120 anos, com a "Brasiliana nº 1"; e César Guerra-Peixe, representado pelo "Concertino para Violino e Orquestra". O concerto único acontece no dia 17, às 19h, com a OSTM e o violinista Ricardo Amado em destaque, sob regência de Felipe Prazeres.

Reprodução - Carlos Gomes (1836-1896), compositor e maestro

Julho

O mês de julho reserva um dos momentos mais emblemáticos da temporada: a comemoração dos 117 anos do Theatro Municipal, em 14 de julho, com a estreia de "Salvator Rosa", ópera de Antônio Carlos Gomes. A obra retorna ao palco da casa após oito décadas de ausência — um evento que, por si só, justificaria o interesse do público melômano. A montagem homenageia os 190 anos de nascimento e os 130 anos de morte do compositor campineiro, com concepção e direção cênica de Julianna Santos, coreografia de Hélio Bejani, direção de movimento de Márcia Jaqueline e direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro. As récitas se estendem até 18 de julho.

Daniel Ebendinger/Divulgação - Márcia Jaqueline como Kitri em 'Don Quixote'

Agosto

Em agosto, é a vez de "Don Quixote". O balé de Ludwig Minkus, com libreto e coreografia originais de Marius Petipa e remontagem de Jorge Teixeira, é um dos títulos mais exuberantes do repertório clássico — estreado no Teatro Bolshoi de Moscou em 1869, conquistou plateias do mundo inteiro com sua melodia brilhante e vigoroso sabor espanhol. Com regência de Tobias Volkmann e direção geral de Hélio Bejani, a temporada contará com dez récitas, entre 20 e 30 de agosto, incluindo uma sessão especial do Projeto Escola Arte Educação no dia 25, às 14h.

Setembro

Setembro pertence ao "Festival Oficina da Ópera", que chega à sua quarta edição consecutiva com três títulos e dois mentores — Pablo Maritano e Desirée Bastos. Voltado à formação de jovens criadores e à experimentação cênica, o festival ocupa tanto o palco principal quanto o Salão Assyrio. No palco grande, "Cavalleria Rusticana", de Pietro Mascagni, com direção cênica de Daniel Salgado e regência de Natalia Salinas (dias 11, 12 e 13). No Assyrio, "Cenas da Coroação de Poppea", de Cláudio Monteverdi, com direção de Ana Vanessa e regência de Jésus Figueiredo (dias 16 e 17); e "Il Campanello", de Gaetano Donizetti, com direção de Pedro Rothe e regência de Felipe Prazeres (dias 18, 19 e 20). O repertório atravessa séculos — do barroco ao verismo italiano —, e a proposta se consolida como uma das mais relevantes plataformas de visibilidade para a nova geração da ópera brasileira.

Outubro

Outubro reserva um dos espetáculos mais esperados: "Romeo e Julieta", com coreografia do bailarino e coreógrafo carioca Reginaldo Oliveira, que há mais de 20 anos vive na Europa e dirige o balé do Salzburger Landestheater, na Áustria. Em 2025, sua criação "Frida" — homenagem à pintora mexicana Frida Kahlo — estreou com todas as sessões esgotadas no Municipal. Reconhecido por trabalhos de forte carga emocional e narrativas construídas em torno de figuras históricas e mitológicas, Oliveira já apresentou versões de "Romeo e Julieta" no circuito internacional, incluindo produções em Salzburgo. A remontagem será apresentada pelo Ballet e pela Orquestra Sinfônica do Municipal, com regência de Tobias Volkmann e direção geral de Hélio Bejani, nos dias 7 a 11 de outubro.

Reprodução - Giacomo Puccini, autor da centenária ópera 'Turandot'

Novembro

Em novembro, "Turandot", de Giacomo Puccini, chega ao Rio em homenagem ao centenário da ópera — estreada em 1926 no Teatro alla Scala de Milão, já após a morte do compositor, com final completado por Franco Alfano. A montagem com direção cênica de André Heller-Lopes, originalmente apresentada em 2018 no Theatro Municipal de São Paulo, reencena o drama ambientado em uma Pequim lendária, onde amor e morte caminham lado a lado. O espetáculo conta com os artistas da casa carioca e com solistas convidados, entre eles a soprano Eiko Senda. São sete récitas, de 13 a 22 de novembro, incluindo sessão do Projeto Escola Arte Educação no dia 17, às 14h.

Daniel Ebendinger/Divulgação - A personagem Clarinha de 'O Lago dos Cisnes' é interpretada por Pietra Rêgo, finalista do Prix de Lausanne 2026

Dezembro

O ano se encerra com "O Quebra-Nozes", de Tchaikovsky — tradição consolidada do Municipal, apresentado com o Ballet, o Coro Feminino e a Orquestra Sinfônica da casa, sob regência de Felipe Prazeres. A cada récita da temporada 2026, haverá ainda uma palestra gratuita sobre a obra encenada, com intérprete de Libras, antes do início do espetáculo. Ao longo do ano, o Theatro amplia seu alcance educativo com masterclasses gratuitas, visitas guiadas, visitas temáticas e oficinas de desenho, levando a experiência cultural para além de seus palcos.

SERVIÇO

TEMPORADA 2025 - THEATRO MUNICIPAL

Março a dezembro de 2026

Abertura oficial: 13/2, às 19h — "Grande Missa em Dó Menor", de Mozart

Praça Floriano, s/nº — Cinelândia

Programação completa: theatromunicipal.rj.gov.br e plataformas digitais