Diogo Nogueira, um infinito amor pelo samba
Cantor celebra duas décadas de carreira com turnê grandiosa com orquestra, cenografia de LED e um repertório afetivo
Cantor celebra duas décadas de carreira com turnê grandiosa com orquestra, cenografia de LED e um repertório afetivo
Há artistas que escolhem o samba. E há aqueles para quem o samba parece ter sido uma escolha anterior, feita antes mesmo do nascimento. Diogo Nogueira está nessa prateleira. Filho do compositor João Nogueira (1941-2000), cresceu entre versos e batidas que moldariam sua vida. Com 20 anos de estrada, ele estreia a turnê "Infinito Samba" neste domingo (1) no Vivo Rio. O espetáculo reúne banda ao vivo, orquestra, arranjos inéditos e uma proposta cênica construída em torno de arquitetura de LED.
A concepção artística do espetáculo ficou a cargo do diretor Rafael Dragaud, que mergulhou no extenso catálogo de Diogo para construir um roteiro musical que saúda o passado sem saudosismo e também olha pra frente. "A discussão de repertório foi um mergulho tão sentimental e emocional quanto histórico. O samba é tão gigante que é uma espécie de multiverso, capaz de dialogar com todas as dimensões do Brasil", explica o diretor.
O resultado é um espetáculo dividido em blocos temáticos que percorrem diferentes dimensões do samba — das canções de amor à gafieira, do clima de roda de favela aos clássicos que atravessam gerações. O repertório inclui grandes êxitos da carreira de Diogo, releituras que prestam homenagem às suas influências musicais e novas composições, ainda inéditas ao vivo. Acompanhado por sua banda e uma orquestra de grande porte, o cantor apresenta arranjos construídos especialmente para a turnê, pensados para amplificar tanto a intimidade do samba quanto sua potência coletiva.
A proposta visual de "Infinito Samba" integra cenário, iluminação e figurino com a arquitetura de LED. "Em relação às inspirações, posso dizer que elas são ponto de partida para serem todas misturadas num caldeirão onde o que mais vai determinar os caminhos, as escolhas é a emoção que a música tem que proporcionar. Para mim, os conceitos vão até a página 2 — servem para a gente começar a nossa viagem criativa, mas em determinado momento eles são feitos andaimes. A gente constrói um prédio e temos que tirá-los", explicou o diretor.
Esta visão se relaciona com a própria trajetória de Diogo Nogueira. Ao longo de 20 anos, o cantor foi ampliando seus horizontes sem abandonar a base — a herança paterna funcionou menos como peso do que como bússola.
Embora tenha crescido imerso na música, Diogo começou sua trajetória no futebol — por incentivo do próprio pai. Uma lesão no joelho encerrou a carreira esportiva e abriu caminho para o samba. Estreou na música em 2007, aos 26 anos, com grande repercussão — incluindo uma indicação ao Latin Grammy de Melhor Artista Revelação. Em 2015, o álbum "Bossa Negra" — gravado com Hamilton de Holanda — foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode. Ao longo de 20 anos, lançou uma discografia expressiva marcada pelo samba de raiz, mas que incorpora elementos do pagode, MPB e até da bossa nova.
Diogo poderia ter se limitado a ser um guardião do legado familiar. Em vez disso, transformou essa herança em ponto de partida para uma obra que conversa com o passado sem se prender a ele. É esse movimento — de enraizamento e abertura ao novo que "Infinito Samba" busca alinhar.
SERVIÇO
DIOGO NOGUEIRA — INFINITO SAMBA
Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo) | 1/3, às 20h
Ingressos: a partir de R$ 250 e R$ 125 (meia)
