CRÍTICA / DISCO / LUZ & PAULEIRA VOL. 2: Parceiros de fé

Por Aquiles Rique Reis*

Moacyr Luz e Paulo Malagutti Pauleira voltam a unir talentos em EP de parcerias inéditas

Hoje trataremos de "Luz & Pauleira - Volume 2" (Mills Records), de Moacyr Luz e Paulo Malaguti Pauleira, um EP com quatro faixas que reacende a profícua parceria dos dois craques. Eles têm ao todo quinze parcerias. Quatro delas foram lançadas em 2023 no EP Luz & Pauleira - Volume 1. Agora, o Volume 2 apresenta composições inéditas, reafirmando a vitalidade das músicas atuais e revigoradas que fazem.

A música dos dois parceiros sempre nasce refletindo a sabedoria legítima do carioca raiz, espalhado de Sul a Norte da cidade e por todo o Grande Rio. Rompendo fronteiras, ela alcança a brasilidade genuína de um povo que canta e trabalha pra sustentar as crianças, enquanto tenta ser feliz.

Enfim, um trabalho autoral que aprofunda o encontro entre os dois compositores que conhecem como poucos o estado de espírito dos cariocas e a sua característica de adotar e acolher, sem distinção, todos os que vêm pro Rio viver. Vamos ao EP.

"Na Van Pro Lins" (Pauleira e Moa): o violão puxa o samba. A descrição dos bairros cariocas vem embalada em suingue puro. Pauleira está no teclado e no violão; Sidon Silva na percussão e Paulo Brandão no baixo elétrico e na programação. Couro come!

"Casa de Fim de Semana": a intro vem com um laiálálá esperto. Pauleira sola, logo os dois cantam juntos. Pauleira está no teclado e no violão; Marcio Vanderlei no cavaco; Paulo Brandão na viola de cocho e na programação. Ao final, o trombone de Everson Moraes brilha.

"Não Vou Te Largar": apenas o violão de André Pinto Siqueira acompanha os parceiros que cantam a bela melodia. Meu Deus!

"Se Doer" (Pauleira e Moa): Pauleira está no violão e no teclado, enquanto Paulo Brandão vem no baixo elétrico e na programação. E o samba em tom menor surge bonito pelas vozes de Moa e Pauleira.

Nada como este álbum para segurar a onda pós-carnavalesca e servir de senha para tudo voltar a rolar legal no trampo. Evoé!

Ficha técnica

Produção musical e arranjos: Paulo Malaguti Pauleira e Paulo Brandão; gravação, edição e mixagem: Paulo Brandão (Estúdio Brand); masterização: Carlos Mills.

PS. Tive acesso a informações (já publicadas no Google) que dão conta de atividades do Spotify que incluem doações a Trump, bem como de subsídios a uma startup de IA usada para criar tecnologia de guerra que seleciona e destrói alvos humanos, inclusive. Música é vida, guerra é extinção! Diante disso, não usarei mais o Spotify. Reconheço que a decisão diminuirá o alcance da divulgação dos álbuns que comento, boa parte instrumental e independente. Afinal, o objetivo de minha coluna, publicada há décadas, é provar que existe, sim, música de ótima qualidade sendo feita atualmente no Brasil. Aproveito para sugerir a todos que busquem novas plataformas para ouvir e divulgar música. Avaliem e decidam pela que acharem que mais vale a pena consultar. De minha parte, repito, não citarei mais o nome de quem investe na necropolítica.

*Vocalista do MPB4 e escritor