João Bosco, um gênio na intimidade
João Bosco volta ao Teatro Rival Petrobras com formação de trio
Cantor, compositor e exímio violonista volta ao Teatro Rival Petrobras com formação de trio
João Bosco retorna ao Teatro Rival Petrobras nesta sexta e sábado (6 e 7) em duas apresentações que apostam na intimidade e na depuração sonora. O formato em trio, ao lado do guitarrista Ricardo Silveira e do contrabaixista Guto Wirtti, músicos de longa parceria, permite que o cantor e compositor mineiro revisite clássicos de sua obra com arranjos enxutos e espaço para improvisos, explorando nuances que formações maiores nem sempre comportam.
A configuração privilegia não apenas o talento do artista como intérprete e instrumentista mas também a virtuosidade técnica de seus colegas de palco. No repertório, estão confirmados sucessos como "Incompatibilidade de Gênios", "O Mestre-Sala dos Mares" e "Corsário", além de possíveis surpresas e releituras de canções menos executadas ao vivo.
Mineiro de Ponte Nova, João Bosco construiu uma obra fundamental na música popular brasileira. Formado em engenharia, abandonou a carreira para se dedicar à música, mudando-se para o Rio nos anos 1970. Foi nessa época que estabeleceu parceria decisiva com o poeta Aldir Blanc, responsável pelas letras de alguns de seus maiores sucessos.
Juntos, João e Aldir criaram canções incontornáveis numa preciosa combinação de sofisticação harmônica com uma poética sublime e refinada. "O Bêbado e a Equilibrista", gravada por Elis Regina em 1979, tornou-se hino da anistia política e um dos momentos mais emblemáticos da arte brasileira no período de redemocratização.
A carreira de João Bosco caracteriza-se pela fusão entre samba, jazz e música mineira, incorporando elementos da bossa nova e experimentações rítmicas que ampliam as possibilidades do violão de sete cordas. Sua técnica instrumental, marcada por levadas sincopadas e harmonias complexas, influenciou gerações de violonistas e compositores. Álbuns como "Caça à Raposa" (1975), "Galos de Briga" (1976) e "Linha de Passe" (1979) definiram uma sonoridade própria, reconhecível tanto pelos arranjos quanto pela interpretação vocal grave e expressiva. Ao longo das décadas seguintes, lançou mais de 20 discos de estúdio, mantendo produção artística constante e renovando repertório sem perder identidade.
Além da parceria com Aldir Blanc, João Bosco colaborou com nomes como Paulo Emílio, Abel Silva e Francis Hime, diversificando temáticas e abordagens. Sua relação com o jazz manifesta-se tanto nas harmonias quanto na abertura para improvisação, característica que se acentua em apresentações ao vivo e formações reduzidas como a do show no Rival.
SERVIÇO
JOÃO BOSCO TRIO
Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia)
6 e 7/2, às 19h30
Ingressos a partir de R$ 50
